Otite Média Aguda: Etiologia e Patógenos Comuns

Grupo OPTY - Rede de Oftalmologia — Prova 2024

Enunciado

Uma criança de 4 anos foi levada ao pronto-socorro com queixa de otalgia bilateral que começou há menos de 48 horas. Ela está recebendo analgésicos conforme o horário, mas hoje, devido à piora da dor, náuseas e febre (com temperatura aferida de até 38,8 °C), sua mãe procurou atendimento médico. A mãe relatou que a criança teve sintomas de infecção das vias aéreas superiores nos últimos cinco dias, incluindo tosse e rinorreia. A paciente não possui histórico de comorbidades anteriores. O exame físico revelou os achados ilustrados na imagem abaixo.Com base no quadro clínico apresentado e em conceitos correlatos, julgue o item.No caso apresentado, quando causado por uma etiologia bacteriana, os principais agentes patogênicos envolvidos incluem o Streptococcus pneumoniae, Haemophilus parainfluenzae e Moraxella catarrhalis.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Tríade da OMA = S. pneumoniae + H. influenzae (não tipável) + M. catarrhalis.

Resumo-Chave

A etiologia bacteriana da OMA é dominada pelo S. pneumoniae, H. influenzae (não tipável) e M. catarrhalis. O erro da questão reside em citar o H. parainfluenzae.

Contexto Educacional

A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais frequentes na infância, resultando muitas vezes de uma disfunção da tuba auditiva após um quadro viral de vias aéreas superiores. O diagnóstico é clínico, baseado na otoscopia que demonstra abaulamento da membrana timpânica, hiperemia e perda de mobilidade. O conhecimento da flora bacteriana local é essencial para a escolha da antibioticoterapia empírica, sendo a amoxicilina a primeira linha na maioria dos protocolos. Historicamente, o Streptococcus pneumoniae era o agente isolado com maior frequência, mas com a vacinação em massa, o Haemophilus influenzae não tipável (NTHi) ganhou destaque. A diferenciação entre as espécies de Haemophilus é um detalhe técnico comum em provas de residência, onde o H. parainfluenzae é frequentemente usado como distrator por ser um comensal da orofaringe com baixo potencial patogênico em orelha média.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes bacterianos da OMA?

Os três principais patógenos bacterianos envolvidos na Otite Média Aguda (OMA) são o Streptococcus pneumoniae (historicamente o mais comum), o Haemophilus influenzae não tipável (cuja prevalência aumentou após as vacinas pneumocócicas conjugadas) e a Moraxella catarrhalis. É fundamental distinguir o H. influenzae de outras espécies de Haemophilus, como o parainfluenzae, que não possuem o mesmo papel patogênico nas vias aéreas superiores da criança.

Como a vacinação alterou a microbiologia da OMA?

A introdução das vacinas pneumocócicas conjugadas (PCV10 e PCV13) reduziu significativamente a incidência de OMA causada pelos sorotipos contidos na vacina. Isso resultou em uma mudança epidemiológica, com o aumento proporcional de casos causados por Haemophilus influenzae não tipável e por sorotipos de S. pneumoniae não vacinais, além de manter a Moraxella catarrhalis como um patógeno relevante.

Qual a importância clínica da Moraxella catarrhalis na OMA?

A Moraxella catarrhalis é responsável por cerca de 10-15% dos casos de OMA bacteriana. Uma característica clínica importante é que quase 100% das cepas de M. catarrhalis produzem beta-lactamase, o que pode conferir resistência à amoxicilina simples. No entanto, muitos casos de OMA por Moraxella apresentam resolução espontânea superior àqueles causados por S. pneumoniae.

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