MedEvo Simulado — Prova 2026
Lactente de 11 meses, sexo masculino, frequenta creche desde os 6 meses de vida. Apresenta história de dois episódios prévios de otite média aguda (OMA), o último ocorrido há apenas 20 dias, ocasião em que foi tratado com amoxicilina na dose de 45 mg/kg/dia por 7 dias, apresentando melhora clínica inicial. Há 48 horas, a criança iniciou novo quadro de irritabilidade intensa, febre aferida de 39,5°C e choro persistente que piora à manipulação da orelha direita. Na manhã de hoje, a mãe observou saída de secreção amarelada abundante pelo conduto auditivo direito e notou que o olho direito do lactente estava muito vermelho e com secreção purulenta. Ao exame físico, o paciente encontra-se em regular estado geral, irritado, mas consolável no colo materno, e febril (38,8°C). A otoscopia à direita revela presença de secreção purulenta em conduto auditivo externo, proveniente de uma pequena perfuração em quadrante inferior da membrana timpânica. A otoscopia à esquerda demonstra membrana timpânica íntegra, porém opaca, hiperemiada e com abaulamento importante. Observa-se ainda conjuntivite purulenta ipsilateral à otorreia. Diante do quadro clínico e dos fatores de risco apresentados, a conduta terapêutica mais adequada é prescrever:
OMA + Conjuntivite purulenta → Pensar em H. influenzae → Tratar com Amoxicilina-Clavulanato 90mg/kg/dia.
A falha terapêutica recente (<30 dias) e a presença de conjuntivite ipsilateral sugerem patógenos produtores de beta-lactamase, exigindo o uso de clavulanato em dose plena.
A Otite Média Aguda (OMA) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância. O manejo inicial depende da idade, gravidade e fatores de risco para resistência. A Síndrome Otite-Conjuntivite é um fenótipo clínico clássico onde o H. influenzae é o protagonista, diferenciando-se do S. pneumoniae que é mais comum em OMA isolada. O uso prévio de amoxicilina em dose baixa (45mg/kg) e o curto intervalo entre os episódios (20 dias) indicam falha e necessidade de escalonamento terapêutico. A dose de 90mg/kg/dia visa vencer a resistência do pneumococo por alteração de PBP, enquanto o clavulanato trata a produção de beta-lactamase pelo Haemophilus.
A associação de OMA com conjuntivite purulenta é fortemente sugestiva de infecção por Haemophilus influenzae não tipável, que frequentemente produz beta-lactamases. O clavulanato é essencial para inibir essas enzimas e garantir a eficácia do tratamento contra esse patógeno específico, especialmente quando há falha prévia com amoxicilina isolada.
Em pacientes com uso recente de antibióticos (últimos 30 dias) ou risco de pneumococo resistente, a dose deve ser de 90 mg/kg/dia de amoxicilina. A associação com clavulanato é mandatória se houver suspeita de H. influenzae (como na conjuntivite) ou Moraxella catarrhalis.
A recorrência é definida por 3 ou mais episódios de OMA em 6 meses, ou 4 ou mais episódios em 12 meses. Nestes casos, além do ajuste antibiótico para cobrir germes resistentes, deve-se investigar fatores de risco como frequência a creches, tabagismo passivo e ausência de aleitamento materno.
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