Otite Externa Necrotizante: Conduta e Diagnóstico em Diabéticos

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 65 anos, sexo masculino, hipertenso e diabético em uso irregular de losartana e metformina, queixa-se de otalgia, otorreia e hipoacusia à direita há 7 dias. Usa cotonetes e faz natação, 2 vezes por semana. Nega febre, outras queixas otorrinolaringológicas ou outras comorbidades. Ao exame físico otorrinolaringológico: oroscopia e rinoscopia normais; otoscopia à direita com otorreia purulenta, edema e presença de tecido de granulação em meato acústico à direita. Considerando-se a principal hipótese diagnóstica, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Manter acompanhamento ambulatorial e introduzir ciprofloxacina tópica, analgésicos e proteção auricular à direita.
  2. B) Internar, solicitar cintilografia com gálio 67 e ressonância magnética de ossos temporais e introduzir amicacina por via endovenosa.
  3. C) Internar, solicitar cintilografia com tecnécio 99, tomografia computadorizada de ossos temporais e introduzir ciprofloxacina por via endovenosa.
  4. D) Manter acompanhamento ambulatorial e solicitar biópsia da lesão em meato acústico externo para definir tratamento definitivo.

Pérola Clínica

Idoso diabético + otalgia severa + tecido de granulação no conduto = Otite Externa Necrotizante.

Resumo-Chave

A Otite Externa Necrotizante é uma infecção invasiva da base do crânio, geralmente por Pseudomonas, exigindo diagnóstico por imagem e antibioticoterapia sistêmica prolongada.

Contexto Educacional

A Otite Externa Necrotizante (OEN), historicamente chamada de maligna devido à sua alta mortalidade antes dos antibióticos modernos, é uma osteomielite progressiva do osso temporal. O perfil clássico é o paciente idoso com diabetes mellitus descompensado ou imunossuprimido. A presença de tecido de granulação no assoalho do meato acústico externo, na junção osteocartilaginosa, é um sinal patognomônico importante. O diagnóstico requer confirmação por exames de imagem, como a Tomografia Computadorizada (TC) para avaliar erosão óssea e a cintilografia para detectar atividade metabólica óssea. O tratamento envolve controle rigoroso da glicemia e antibioticoterapia prolongada (6 a 12 semanas) com agentes antipseudomonas, como a ciprofloxacina endovenosa ou oral, dependendo da gravidade e resposta clínica.

Perguntas Frequentes

Qual o papel da cintilografia no diagnóstico da otite externa maligna?

A cintilografia com Tecnécio-99 é extremamente sensível para detectar atividade osteoblástica, sendo útil para o diagnóstico precoce de osteomielite da base do crânio, embora permaneça positiva por meses. Já a cintilografia com Gálio-67 é preferida para o acompanhamento da resposta ao tratamento, pois marca processos inflamatórios ativos e tende a negativar conforme a infecção é controlada.

Por que a Pseudomonas aeruginosa é o principal patógeno?

A Pseudomonas aeruginosa é um patógeno oportunista que prospera em ambientes úmidos e possui diversos fatores de virulência, como exotoxinas e enzimas que facilitam a invasão tecidual. Em pacientes diabéticos, a microangiopatia e a disfunção de neutrófilos reduzem a capacidade de defesa local, permitindo que a infecção progrida do tecido mole para o osso temporal.

Quais são as complicações nervosas mais comuns?

A paralisia do nervo facial (VII par) é a neuropatia craniana mais frequente devido à proximidade do nervo com o canal auditivo externo e o forame estilomastoideo. Com a progressão da osteomielite para o ápice petroso e forame jugular, outros nervos como o glossofaríngeo (IX), vago (X) e acessório (XI) também podem ser acometidos.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo