Otite Externa Maligna: Diagnóstico e Conduta na Emergência

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um paciente de 68 anos, portador de diabetes mellitus tipo 2 de longa data com controle glicêmico irregular, procura a emergência com queixa de otalgia esquerda intensa e persistente há 20 dias. Relata que a dor é lancinante, piora significativamente durante a noite e irradia para a região da articulação temporomandibular e hemiface ipsilateral. Faz uso de gotas otológicas contendo ciprofloxacino e dexametasona há 12 dias, prescritas em consulta prévia, sem qualquer melhora do quadro. Ao exame físico, apresenta dor extrema à manipulação do pavilhão auricular e do trago. A otoscopia revela edema importante do conduto auditivo externo, com presença de secreção purulenta escassa e tecido de granulação no assoalho do conduto, na junção entre as porções cartilaginosa e óssea. Nota-se, ainda, assimetria facial compatível com paralisia facial periférica ipsilateral (Grau III de House-Brackmann). Não há sinais de flutuação ou hiperemia retroauricular. Os exames laboratoriais mostram glicemia de 278 mg/dL e velocidade de hemossedimentação (VHS) de 102 mm/h. Diante do quadro clínico apresentado, qual a conduta mais adequada?

Alternativas

  1. A) Substituição do tratamento tópico por solução de voriconazol e controle glicêmico ambulatorial rigoroso com insulina, com retorno para reavaliação em 48 horas.
  2. B) Realização de biópsia imediata do tecido de granulação para exclusão de carcinoma espinocelular e início de tratamento domiciliar com amoxicilina associada a clavulanato.
  3. C) Internação hospitalar para debridamento cirúrgico amplo de urgência da base do crânio e início de antibioticoterapia tópica com aminoglicosídeos.
  4. D) Coleta de secreção para cultura, internação hospitalar para antibioticoterapia endovenosa com ciprofloxacino e solicitação de tomografia computadorizada de ossos temporais.

Pérola Clínica

Idoso diabético + otalgia intensa + tecido de granulação + VHS ↑ = Otite Externa Maligna.

Resumo-Chave

A otite externa maligna é uma infecção invasiva da base do crânio, geralmente por Pseudomonas, exigindo antibioticoterapia sistêmica prolongada e controle glicêmico.

Contexto Educacional

A otite externa maligna (OEM) não é uma neoplasia, mas uma osteomielite progressiva do osso temporal. Ocorre predominantemente em idosos diabéticos devido à microangiopatia e hipoperfusão tecidual, que facilitam a invasão pela Pseudomonas aeruginosa. O quadro clínico clássico envolve dor desproporcional aos achados físicos e a presença de tecido de granulação na junção osteocartilaginosa do conduto. O manejo exige internação para antibioticoterapia endovenosa (geralmente ciprofloxacino em doses elevadas) e controle rigoroso da glicemia. Exames de imagem como a TC de ossos temporais são essenciais para avaliar a extensão da erosão óssea, enquanto a cintilografia com Tecnécio-99 ou Gálio-67 pode ser usada para diagnóstico e acompanhamento da resolução da infecção.

Perguntas Frequentes

Qual o principal agente etiológico da otite externa maligna?

A Pseudomonas aeruginosa é responsável pela vasta maioria dos casos (cerca de 95%). É um patógeno oportunista que aproveita o microambiente alterado do conduto auditivo em pacientes diabéticos ou imunocomprometidos para invadir tecidos profundos e osso.

Como é feito o diagnóstico de otite externa maligna?

O diagnóstico é clínico-laboratorial, baseado em otalgia refratária, presença de tecido de granulação no meato acústico externo, VHS elevado e confirmação por imagem (TC para avaliar erosão óssea ou Cintilografia para atividade osteoblástica).

Por que a paralisia facial é um sinal de alerta?

A paralisia facial indica que a infecção progrediu para a base do crânio, atingindo o nervo facial em seu trajeto pelo osso temporal ou no forame estilomastoideo, sinalizando um prognóstico mais reservado.

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