Otite Externa Aguda: Diagnóstico e Tratamento Tópico

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025

Enunciado

Menina, 6 anos de idade, queixa-se de otalgia à esquerda há um dia. A dor é contínua, com piora à palpação do pavilhão auricular e melhora parcialmente com o uso de analgésico comum. Não teve febre ou sintomas respiratórios nos últimos dias. Frequenta regularmente a escola no período diurno e faz aula de natação duas vezes por semana. Otoscopia: canal auditivo externo esquerdo hiperemiado, com otorreia clara e inodora e dor à manipulação; membrana timpânica translúcida, íntegra e sem abaulamentos. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a conduta recomendada?

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia oral.
  2. B) Antibioticoterapia tópica.
  3. C) Anti-inflamatório não hormonal oral.
  4. D) Corticoide oral.

Pérola Clínica

Otalgia + Natação + Dor à manipulação do pavilhão = Otite Externa → Conduta: ATB Tópico.

Resumo-Chave

A otite externa aguda é uma infecção do canal auditivo externo, comum em nadadores. O tratamento de escolha é tópico, garantindo altas concentrações de antibiótico no local sem os efeitos sistêmicos da via oral.

Contexto Educacional

A otite externa aguda, conhecida como 'orelha de nadador', é uma inflamação difusa do conduto auditivo externo. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na tríade: otalgia súbita, sinais de inflamação do conduto (edema, hiperemia) e dor à manipulação do pavilhão. A presença de otorreia clara e inodora é comum. O tratamento envolve a limpeza cuidadosa do conduto (se houver debris) e a aplicação de gotas otológicas. As preparações podem conter apenas antibióticos ou associações com corticoides para acelerar a resolução do edema e da dor. É fundamental orientar o paciente a manter o ouvido seco durante o tratamento, suspendendo atividades de natação por 7 a 10 dias.

Perguntas Frequentes

Por que a via tópica é preferível na otite externa?

A via tópica permite que o antibiótico (geralmente ciprofloxacino ou neomicina/polimixina B) atinja concentrações centenas de vezes superiores à Concentração Inibitória Mínima (CIM) dos patógenos no canal auditivo. Além disso, evita efeitos colaterais sistêmicos e o desenvolvimento de resistência bacteriana em outros sítios. A via oral é reservada apenas para casos com celulite de pavilhão, imunocomprometidos ou falha do tratamento tópico.

Quais os principais agentes etiológicos da otite externa?

Os patógenos mais comuns são a Pseudomonas aeruginosa e o Staphylococcus aureus. A exposição frequente à água (natação) altera o pH do conduto auditivo e remove o cerume protetor, criando um ambiente úmido e alcalino favorável ao crescimento dessas bactérias, especialmente da Pseudomonas.

Como diferenciar otite externa de otite média aguda?

A otite externa apresenta dor intensa à manipulação do pavilhão auricular ou do tragus, conduto hiperemiado e membrana timpânica geralmente normal ou apenas levemente hiperemiada (mas móvel). A otite média aguda (OMA) cursa com abaulamento da membrana timpânica, perda de mobilidade e geralmente é precedida por sintomas de IVAS (tosse, coriza, febre), sem dor à manipulação externa.

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