Otite Externa Aguda: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2022

Enunciado

Adolescente, sexo masculino, 10 anos, relata otalgia em orelha direita há 2 dias. Esteve de férias no litoral nas últimas duas semanas. Nega sintomas nasais, tosse ou febre. No exame físico, apresenta bom estado geral, com bastante dor à mobilização da orelha, hiperemia, edema do conduto auditivo externo, com secreção e debris sobre a membrana timpânica direita. A hipótese diagnóstica mais provável e o tratamento adequado são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) otite externa aguda; antibiótico tópico.
  2. B) otite externa aguda; antibióticos tópico e sistêmico associados e anti-inflamatório não hormonal.
  3. C) otite média aguda; antibiótico sistêmico e anti-inflamatório não hormonal.
  4. D) otite média aguda; antibiótico sistêmico e corticoterapia oral.
  5. E) mastoidite aguda; tomografia de mastoide e antibiótico parenteral.

Pérola Clínica

Otalgia + dor à mobilização da orelha + edema de CAE + histórico de natação → Otite Externa Aguda → ATB tópico.

Resumo-Chave

A otite externa aguda, comumente associada à exposição à água (orelha de nadador), manifesta-se por otalgia intensa, dor à manipulação do pavilhão auricular e edema/hiperemia do conduto auditivo externo. O tratamento de escolha para casos não complicados é o antibiótico tópico.

Contexto Educacional

A otite externa aguda, popularmente conhecida como 'orelha de nadador', é uma inflamação ou infecção do conduto auditivo externo. É uma condição comum, especialmente em climas quentes e úmidos, ou após exposição à água (natação, banhos), que remove a cera protetora e altera o pH do conduto, favorecendo o crescimento bacteriano. Os principais agentes etiológicos são Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. A condição é caracterizada por dor intensa, que se agrava com a manipulação do pavilhão auricular ou tragus, e pode vir acompanhada de prurido, sensação de plenitude e secreção. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na história e no exame otoscópico. Ao exame, observa-se hiperemia e edema do conduto auditivo externo, que pode estar tão edemaciado a ponto de dificultar a visualização da membrana timpânica. A dor à mobilização do pavilhão auricular ou à pressão do tragus é um sinal patognomônico. É crucial diferenciar a otite externa da otite média aguda, onde a dor não é exacerbada pela manipulação externa e a patologia reside na orelha média, com alterações na membrana timpânica. A ausência de febre e sintomas sistêmicos também favorece o diagnóstico de otite externa não complicada. O tratamento da otite externa aguda não complicada é primariamente tópico. Consiste na limpeza cuidadosa do conduto auditivo (se possível), uso de gotas otológicas com antibióticos (como quinolonas ou combinações de polimixina B, neomicina e hidrocortisona) e analgésicos para controle da dor. Em casos de edema intenso que impede a penetração das gotas, pode-se usar um pavio otológico. Antibióticos sistêmicos são reservados para casos graves, com celulite periauricular, febre, linfadenopatia regional, ou em pacientes imunocomprometidos ou diabéticos (risco de otite externa maligna).

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas clássicos da otite externa aguda?

Os sintomas clássicos incluem otalgia intensa, que piora com a manipulação do pavilhão auricular ou tragus, prurido, sensação de plenitude auricular, e, em casos mais avançados, secreção e diminuição da audição. O exame físico revela hiperemia e edema do conduto auditivo externo.

Por que o antibiótico tópico é o tratamento de escolha para otite externa?

O antibiótico tópico é o tratamento de escolha porque atinge altas concentrações no local da infecção, minimizando os efeitos sistêmicos. É eficaz contra os patógenos mais comuns, como Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus, e geralmente resolve a infecção sem a necessidade de antibióticos orais.

Como diferenciar otite externa de otite média aguda?

A otite externa é caracterizada por dor à mobilização do pavilhão auricular e edema do conduto auditivo externo, geralmente sem febre ou sintomas sistêmicos. A otite média aguda, por outro lado, apresenta dor otológica sem dor à manipulação externa, febre e alterações na membrana timpânica (abaulamento, hiperemia, perfuração), com o conduto auditivo externo normal.

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