Otite Externa Aguda: Diagnóstico e Conduta no Pronto-Socorro

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Uma criança de 7 anos de idade, previamente hígida, foi levada ao pronto atendimento com otalgia à direita há 1 dia. Refere que o quadro iniciou com prurido no ouvido direito, evoluindo para dor intensa local. Nega febre, coriza ou tosse. Estava na praia há 10 dias. Exame físico: dor intensa à palpação do tragus, edema do meato acústico externo e presença de secreção branco-amarelada à otoscopia. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta, respectivamente, o diagnóstico provável e o tratamento de escolha.

Alternativas

  1. A) Otite média aguda com efusão; tratar com amoxicilina via oral por 10 dias e analgesia.
  2. B) Otite externa aguda; tratar com antibiótico tópico e medidas locais de higiene e analgesia.
  3. C) Miringite bolhosa; tratar com antibiótico tópico e medidas locais de higiene e analgesia.
  4. D) Otite média aguda com efusão; iniciar anti-inflamatório não esteroidal e observar por 72 horas antes de iniciar antibiótico.
  5. E) Otite externa maligna; tratar com ciprofloxacino via oral por 10 dias e analgesia.

Pérola Clínica

Dor à palpação do trago + edema do conduto + exposição à água = Otite Externa Aguda.

Resumo-Chave

A otite externa aguda (OEA) decorre da quebra da barreira protetora do conduto auditivo, geralmente por umidade ou trauma. O tratamento é primariamente tópico com antibióticos e analgesia.

Contexto Educacional

A otite externa aguda, popularmente conhecida como 'orelha de nadador', é uma inflamação difusa do conduto auditivo externo. O quadro clínico clássico envolve otalgia severa, prurido e plenitude auricular. O sinal patognomônico é a dor à palpação do trago ou à tração do pavilhão auricular. O diagnóstico é clínico, e a otoscopia pode revelar edema, eritema e debris purulentos. O tratamento baseia-se na limpeza do conduto, controle da dor e uso de gotas otológicas contendo antibióticos (como ciprofloxacino ou neomicina/polimixina B) associados ou não a corticoides. A prevenção envolve manter o conduto seco após o banho ou natação e evitar o uso de hastes flexíveis, que removem a camada protetora de cerume e podem causar microtraumas.

Perguntas Frequentes

Qual o principal agente etiológico da otite externa?

Os patógenos mais comuns na otite externa aguda são a Pseudomonas aeruginosa e o Staphylococcus aureus. A exposição excessiva à água ou microtraumas no conduto auditivo externo facilitam a proliferação desses microrganismos ao alterar o pH local e remover o cerume protetor que atua como barreira natural.

Quando indicar antibiótico sistêmico na otite externa?

O antibiótico sistêmico é reservado para casos de celulite de pavilhão auricular, pacientes imunocomprometidos, diabetes descompensado ou quando há obstrução total do conduto que impeça a penetração das gotas tópicas, exigindo por vezes o uso de um 'wick' (mecha).

Como diferenciar otite externa de otite média aguda?

A otite externa apresenta dor intensa à manipulação do pavilhão ou trago e edema do conduto. Na otite média aguda (OMA), a dor é profunda, geralmente precedida por infecção de vias aéreas superiores, e a otoscopia revela abaulamento da membrana timpânica sem dor à manipulação externa.

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