Otalgia Referida e Linfonodo Cervical: Investigação Essencial

Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024

Enunciado

Paciente procura atendimento com queixa de otalgia a direita recorrente não associada a febre ou otorreia. Ao exame físico você nota linfonodo aumentado em nível IIa a direita endurecido, pouco móvel e indolor que não tinha sido notado pelo paciente. Diante do quadro deve ser indicado:

Alternativas

  1. A) Antibioticoterapia por 14 dias, pois trata-se de infecção otológica o que justifica o aumento linfonodal a direita ipsilateral.
  2. B) Exame de Ultrassonografia cervical para fechar o diagnóstico.
  3. C) Biopsia do linfonodo para avaliação anatomopatológica.
  4. D) Videolaringoscopia.

Pérola Clínica

Otalgia recorrente + linfonodo cervical suspeito (endurecido, indolor) → investigar neoplasia de via aerodigestiva superior com videolaringoscopia.

Resumo-Chave

A otalgia, especialmente quando crônica e sem sinais de infecção otológica primária, pode ser um sintoma de dor referida de lesões malignas na orofaringe, hipofaringe ou laringe. A presença de um linfonodo cervical com características suspeitas de malignidade (endurecido, indolor, pouco móvel) reforça essa hipótese, tornando a videolaringoscopia um exame crucial para a investigação inicial.

Contexto Educacional

A otalgia referida é um sintoma importante que pode mascarar condições graves, como neoplasias malignas de cabeça e pescoço. Quando um paciente apresenta dor de ouvido crônica ou recorrente sem evidências de infecção otológica primária (como otite média ou externa), e especialmente quando associada a achados como linfonodomegalia cervical endurecida, indolor e pouco móvel, a suspeita de malignidade deve ser alta. A inervação sensorial da orelha é complexa, envolvendo ramos do trigêmeo (V), facial (VII), glossofaríngeo (IX) e vago (X), o que permite que lesões em áreas distantes causem dor referida no ouvido. A investigação de otalgia referida em adultos, particularmente na presença de fatores de risco para câncer (tabagismo, etilismo) ou achados suspeitos no exame físico cervical, deve incluir uma avaliação detalhada das vias aerodigestivas superiores. A videolaringoscopia é um exame fundamental para visualizar a orofaringe, hipofaringe e laringe, permitindo a identificação precoce de lesões primárias que podem ser a causa da dor referida e da linfonodomegalia. O manejo inicial deve focar no diagnóstico etiológico. A biópsia do linfonodo ou da lesão primária, se identificada, é essencial para a confirmação histopatológica. O atraso no diagnóstico de neoplasias de cabeça e pescoço pode impactar significativamente o prognóstico, reforçando a importância de uma abordagem diagnóstica proativa diante de sintomas atípicos como a otalgia referida.

Perguntas Frequentes

Quais são as características de um linfonodo cervical suspeito de malignidade?

Linfonodos suspeitos de malignidade são tipicamente endurecidos, indolores, pouco móveis e podem ser de crescimento progressivo. A localização em níveis específicos, como IIa, também pode ser relevante para a suspeita.

Por que a videolaringoscopia é indicada nesse caso de otalgia?

A otalgia pode ser um sintoma de dor referida de lesões malignas na orofaringe, hipofaringe ou laringe. A videolaringoscopia permite a inspeção direta dessas áreas para identificar a lesão primária causadora da dor.

Quais neoplasias podem causar otalgia referida?

Neoplasias de orofaringe (especialmente base da língua, tonsila), hipofaringe e laringe são causas comuns de otalgia referida, devido à inervação compartilhada pelo nervo glossofaríngeo (IX) e vago (X).

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