INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um paciente de 21 anos, atleta, com 1,92 m de estatura, vai à consulta ambulatorial relatando dor recorrente em membro inferior esquerdo, com piora progressiva há 2 meses e com alguns episódios de febre nas crises de dor, além de perda de peso de 6 kg no último mês. O paciente observou aumento do volume no terço medial da perna esquerda e, há 1 semana, está claudicando devido à dor. Ao exame físico, percebe-se aumento do volume do terço medial da tíbia com tumoração palpável de 3 cm de diâmetro, sem alterações de mobilidade do membro ou lesões de pele.Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a principal hipótese diagnóstica, a investigação complementar e a conduta para esse caso.
Jovem com dor óssea progressiva, massa palpável, febre e perda de peso → suspeitar osteossarcoma; investigar com RM + biópsia, tratar com quimioterapia.
A apresentação clínica de dor óssea progressiva, massa palpável, sintomas sistêmicos como febre e perda de peso em um jovem atleta, especialmente em ossos longos, é altamente sugestiva de osteossarcoma. A investigação deve incluir exames de imagem avançados e biópsia para confirmação histopatológica, com tratamento multimodal.
O osteossarcoma é o tumor ósseo primário maligno mais comum em crianças e adolescentes, com um segundo pico de incidência em idosos. Ele se manifesta predominantemente em ossos longos, como fêmur distal, tíbia proximal e úmero proximal, áreas de rápido crescimento ósseo. A apresentação clínica clássica inclui dor óssea progressiva, que pode ser inicialmente intermitente e associada à atividade física, mas que se torna constante e piora à noite, não aliviada por repouso. A presença de massa palpável, aumento de volume local, claudicação e sintomas sistêmicos como febre e perda de peso são sinais de alarme que exigem investigação imediata. A investigação diagnóstica começa com radiografias simples da área afetada, que podem revelar lesões líticas, blásticas ou mistas, com reação periosteal agressiva (triângulo de Codman, espículas em "raios de sol"). A ressonância magnética (RM) é crucial para avaliar a extensão intramedular e extraóssea do tumor, o envolvimento de partes moles e a relação com estruturas neurovasculares, sendo essencial para o planejamento cirúrgico. A confirmação diagnóstica é feita por biópsia, que deve ser realizada por um cirurgião experiente em tumores ósseos, pois uma biópsia mal executada pode comprometer o tratamento definitivo. O estadiamento inclui tomografia computadorizada de tórax para pesquisa de metástases pulmonares, o sítio mais comum de disseminação. O tratamento do osteossarcoma é complexo e requer uma abordagem multidisciplinar. Geralmente envolve quimioterapia neoadjuvante para reduzir o tamanho do tumor e tratar micrometástases, seguida de cirurgia para ressecção em bloco com margens livres. A quimioterapia adjuvante é administrada após a cirurgia para erradicar células tumorais residuais. O prognóstico depende do estadiamento da doença, da resposta à quimioterapia neoadjuvante e da obtenção de margens cirúrgicas livres. A identificação precoce e o encaminhamento a centros especializados são fundamentais para otimizar os resultados.
Os sinais de alerta incluem dor óssea persistente e progressiva, que piora à noite e com atividade, inchaço ou massa palpável no local, claudicação, e sintomas sistêmicos como febre inexplicada e perda de peso.
Após a radiografia inicial, a investigação deve prosseguir com ressonância magnética (RM) da área afetada para avaliar a extensão do tumor e biópsia (preferencialmente incisional ou por agulha grossa) para confirmação histopatológica. A tomografia de tórax é essencial para estadiamento de metástases pulmonares.
O tratamento do osteossarcoma é multimodal e geralmente envolve quimioterapia neoadjuvante (pré-cirúrgica), cirurgia para ressecção do tumor com margens livres, e quimioterapia adjuvante (pós-cirúrgica). Em alguns casos, radioterapia pode ser utilizada.
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