Manejo da Osteoporose Pós-Menopausa e Bisfosfonatos

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2025

Enunciado

A osteoporose pós-menopáusica é uma condição caracterizada pela perda de massa óssea, o que aumenta o risco de fraturas. O tratamento envolve medidas gerais, como ingestão adequada de cálcio e vitamina D, e, em casos específicos, terapias farmacológicas. Sobre as afecções ósseas na mulher pós-menopausa, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) Mulheres com ingestão insuficiente de cálcio na dieta devem suplementar com, pelo menos, 2.580 mg de cálcio por dia, para prevenir osteoporose.
  2. B) Bisfosfonatos orais são recomendados como terapia inicial para todas as mulheres com osteoporose, independentemente de comorbidades.
  3. C) A osteopenia é definida por uma densidade mineral óssea com T-score abaixo de 3,5.
  4. D) O tratamento com bisfosfonatos orais não é recomendado para pacientes com dificuldades esofágicas como a acalásia ou incapazes de manterem-se eretos por 30 a 60 minutos após a administração.

Pérola Clínica

Bisfosfonatos orais = contraindicados em acalásia ou incapacidade de ortostatismo por 30-60 min.

Resumo-Chave

O tratamento da osteoporose com bisfosfonatos orais exige integridade esofágica e capacidade de manter-se ereto para evitar lesões graves na mucosa esofágica.

Contexto Educacional

A osteoporose pós-menopáusica é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração microarquitetural, levando ao aumento da fragilidade óssea. O diagnóstico padrão-ouro é a densitometria óssea de coluna lombar e fêmur. O tratamento farmacológico é indicado para pacientes com diagnóstico de osteoporose por DMO ou presença de fratura por fragilidade, além de casos selecionados de osteopenia com alto risco de fratura calculado pelo FRAX. Os bisfosfonatos são a primeira linha de tratamento devido à sua eficácia na redução de fraturas vertebrais e de quadril. No entanto, a segurança do paciente é primordial. Devido ao risco de esofagite química, a administração oral exige jejum, ingestão apenas com água e manutenção da postura ereta. Em pacientes com contraindicações esofágicas ou intolerância gástrica, o ácido zoledrônico (via intravenosa) ou o denosumabe (via subcutânea) tornam-se as alternativas preferenciais.

Perguntas Frequentes

Quais as principais contraindicações aos bisfosfonatos orais?

As principais contraindicações aos bisfosfonatos orais (como alendronato e risedronato) incluem anormalidades esofágicas que retardam o esvaziamento esofágico, como acalásia ou estenoses, e a incapacidade do paciente de permanecer em posição ereta (sentado ou em pé) por pelo menos 30 a 60 minutos após a ingestão do medicamento. Além disso, são contraindicados em pacientes com hipocalcemia não corrigida e em casos de insuficiência renal grave (clearance de creatinina abaixo de 30-35 mL/min). A irritação gástrica e esofágica é o efeito adverso mais comum, podendo evoluir para esofagite erosiva se as instruções de administração não forem seguidas rigorosamente.

Como é definida a osteopenia e a osteoporose pela densitometria?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os critérios baseiam-se no T-score da densitometria óssea (DMO), que compara a densidade do paciente com a de um adulto jovem saudável. A densidade normal é definida por um T-score de até -1,0 desvio padrão (DP). A osteopenia é definida por um T-score entre -1,1 e -2,4 DP. A osteoporose é diagnosticada quando o T-score é igual ou inferior a -2,5 DP. Casos de osteoporose estabelecida ou grave ocorrem quando, além do T-score ≤ -2,5, há a presença de uma ou mais fraturas por fragilidade óssea.

Qual a recomendação atual de cálcio para mulheres na pós-menopausa?

A recomendação geral para mulheres com mais de 50 anos ou na pós-menopausa é uma ingestão total de cálcio (dieta + suplementação) de aproximadamente 1.200 mg por dia. Valores excessivos, como 2.580 mg mencionados em algumas alternativas incorretas, não trazem benefícios adicionais e aumentam o risco de nefrolitíase e possíveis complicações cardiovasculares. A suplementação farmacológica deve ser reservada apenas para aquelas que não conseguem atingir a meta através da ingestão dietética, priorizando sempre que possível o cálcio proveniente de alimentos como laticínios e vegetais escuros.

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