Osteoporose: Manejo Pós-Fratura de Quadril e Fatores de Risco

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025

Enunciado

Paciente de 65 anos vem a consulta em pós-operatório de correção de fratura de quadril. Relata que há 2 meses escorregou enquanto realizava caminhada na rua e foi constatada fratura de fêmur. Fez a correção cirúrgica e está em reabilitação, com a fisioterapia. Nega comorbidades e etilismo. É tabagista de meia carteira há 20 anos. Relata menopausa aos 45 anos, sem uso de terapia de reposição hormonal. Estava em uso apenas de dipirona para dor. Ao exame físico, apresenta IMC de 27kg/m². Ao realizar o FRAX 2.0, foi encontrado o gráfico a seguir: Zona Intermediária: Mostra que os dados não foram suficientes para definir a indicação da terapia medicamentosa e sugere a necessidade de realização da densitometria óssea para aprimorar a avaliação. A conduta médica mais adequada para essa paciente, além de solicitar a densitometria óssea é:

Alternativas

  1. A) Aguardar resultado da densitometria para definir a conduta mais adequada.
  2. B) Prescrever um bifosfonato oral associado à suplementação de cálcio e vitamina D.
  3. C) Incentivar a exposição ao sol, incentivar atividade física regular e cessar tabagismo.
  4. D) Orientar suplementação de cálcio e vitamina D, associada a exercícios físicos de baixo impacto.

Pérola Clínica

Paciente com fratura de quadril e fatores de risco para osteoporose → iniciar bifosfonato + Ca/Vit D, mesmo com FRAX intermediário.

Resumo-Chave

Uma fratura de fragilidade prévia, especialmente de quadril, é um forte preditor de futuras fraturas osteoporóticas e, por si só, já indica tratamento medicamentoso para osteoporose, independentemente do escore FRAX ou da densitometria óssea inicial. A suplementação de cálcio e vitamina D é um pilar fundamental do tratamento.

Contexto Educacional

A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por diminuição da massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, levando a um aumento da fragilidade óssea e do risco de fraturas. É um problema de saúde pública significativo, especialmente em mulheres pós-menopausa, com a fratura de quadril sendo uma das mais graves e associadas a alta morbimortalidade. A identificação precoce de fatores de risco e a intervenção adequada são cruciais para prevenir desfechos adversos. No caso apresentado, a paciente possui múltiplos fatores de risco para osteoporose, incluindo idade, menopausa precoce sem terapia de reposição hormonal e tabagismo. O achado mais crítico é a fratura de quadril, que é uma fratura de fragilidade e, por si só, já estabelece a indicação para tratamento farmacológico da osteoporose. O FRAX e a densitometria óssea são ferramentas importantes para avaliação de risco e diagnóstico, mas uma fratura de fragilidade já é um critério diagnóstico e terapêutico. A conduta mais adequada, além da solicitação da densitometria óssea para acompanhamento, é iniciar a terapia medicamentosa com um bifosfonato oral, associado à suplementação de cálcio e vitamina D. Os bifosfonatos são a primeira linha de tratamento para a maioria dos pacientes com osteoporose, pois reduzem o risco de fraturas vertebrais e não vertebrais. A suplementação de cálcio e vitamina D é essencial para otimizar a eficácia do tratamento e manter a saúde óssea. Medidas não farmacológicas, como cessação do tabagismo e atividade física, também são importantes, mas não substituem a terapia medicamentosa em casos de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais fatores de risco para osteoporose estão presentes nesta paciente?

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco para osteoporose, incluindo idade avançada (>65 anos), sexo feminino, menopausa precoce (45 anos) sem terapia de reposição hormonal, tabagismo e, crucialmente, uma fratura prévia de fragilidade (fratura de quadril).

Por que a fratura de quadril indica tratamento medicamentoso imediato para osteoporose?

A fratura de quadril é considerada uma fratura de fragilidade maior e é um forte preditor de futuras fraturas. Sua ocorrência, por si só, já estabelece o diagnóstico de osteoporose grave e indica a necessidade de iniciar tratamento farmacológico, como bifosfonatos, para reduzir o risco de novas fraturas.

Qual o papel da densitometria óssea e do FRAX neste caso?

A densitometria óssea é importante para quantificar a perda óssea e monitorar a resposta ao tratamento. O FRAX estima o risco de fratura em 10 anos. No entanto, em pacientes com fratura de fragilidade prévia, o tratamento medicamentoso é indicado independentemente desses resultados, que podem ser usados para refinar o manejo.

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