Osteoporose em IRC: Manejo da Fratura de Fêmur

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Mulher, 79 anos, raça branca, com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial, ambas bem controladas, osteoartrose, tendo necessidade de tomar analgésicos e antiinflamatórios não esteroides de forma irregular e insuficiência renal crónica (IRC) de grau IV, chega ao consultório para avaliação pós cirúrgica. Relata ter sido submetida a cirurgia para correção de fratura de colo de fêmur após queda na residência ao levantar-se da cadeira, obtendo alta há 8 dias. Possui exames complementares, anteriores a cirurgia, que revelam: densitometria óssea com valor de DMO (Densidade Mineral Óssea) do colo do fémur igual a 0,485 g/cm2, e “score-T” de -3,1; radiografia de coluna dorso-lombar de perfil sem deformidades dos corpos vertebrais compatíveis com fraturas e exames laboratoriais: cálcio sérico = 4,75 mEq/L (4,25 – 5,25), fosfatase alcalina = 110 U/L (45 – 129), creatinina = 0,89 mg/dL (0,5 a 1,1 mg/dL), c-telopeptídeo ( CTX) = 12,0 ng/mL (1,04 – 10,1), propeptídeo procolágeno tipo 1 (P1NP) = 100,3 ng/mL (18,2 – 102,3) e vitamina D (25OH) = 18 ng/mL (30 – 80). O plano terapêutico desta paciente, além da suspensão do uso de antiinflamatórios, deve ser:

Alternativas

  1. A) cálcio oral associado a vitamina D, fisioterapia e denosumab subcutâneo 
  2. B) vitamina D, reeducação postural global e alendronato oral
  3. C) cálcio oral, repouso parcial e ácido zoledrónico
  4. D) cálcio oral associado a vitamina D, fisioterapia passiva e ertanecept subcutâneo

Pérola Clínica

Idosa com fratura de fêmur, IRC IV, osteoporose grave e deficiência de Vit D → Denosumab + cálcio/Vit D + fisioterapia.

Resumo-Chave

A paciente apresenta osteoporose grave (T-score -3,1), fratura de fêmur por fragilidade, insuficiência renal crônica (IRC IV) e deficiência de vitamina D. O denosumab é uma boa opção para osteoporose em pacientes com IRC, pois não é excretado pelos rins, ao contrário dos bisfosfonatos. A suplementação de cálcio e vitamina D é essencial, assim como a fisioterapia para reabilitação e prevenção de novas quedas.

Contexto Educacional

A osteoporose é uma doença esquelética caracterizada por diminuição da resistência óssea, predispondo a um risco aumentado de fraturas. Em idosos, especialmente mulheres pós-menopausa, e na presença de comorbidades como a insuficiência renal crônica (IRC), o risco de fraturas por fragilidade, como a de colo de fêmur, é significativamente elevado. A IRC, em particular, altera o metabolismo ósseo e mineral, levando à doença óssea associada à doença renal crônica (DMO-DRC), que pode se manifestar como osteoporose, osteomalácia ou doença óssea adinâmica. O diagnóstico da osteoporose baseia-se na densitometria óssea (T-score ≤ -2,5), história de fraturas por fragilidade e avaliação de fatores de risco. Na paciente em questão, a fratura de fêmur e o T-score indicam osteoporose grave. A deficiência de vitamina D (18 ng/mL) é comum em idosos e pacientes com IRC, contribuindo para a perda óssea. Os marcadores de remodelação óssea (CTX e P1NP) elevados sugerem um alto turnover ósseo, comum na osteoporose pós-menopausa e em algumas formas de DMO-DRC. O plano terapêutico deve ser individualizado, considerando a gravidade da osteoporose, a fratura recente e a IRC avançada. A suplementação de cálcio e vitamina D é fundamental. Para a terapia farmacológica, o denosumab é uma excelente escolha em pacientes com IRC, pois não é excretado pelos rins, evitando os riscos associados aos bisfosfonatos. A fisioterapia é crucial para a reabilitação pós-fratura, fortalecimento muscular e prevenção de novas quedas, melhorando a qualidade de vida e a autonomia da paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da densitometria óssea no diagnóstico da osteoporose?

A densitometria óssea é o padrão-ouro para o diagnóstico da osteoporose, medindo a Densidade Mineral Óssea (DMO) e fornecendo o T-score. Um T-score ≤ -2,5 desvios-padrão em relação à média de adultos jovens saudáveis confirma o diagnóstico de osteoporose, indicando alto risco de fraturas.

Por que o denosumab é preferível em pacientes com insuficiência renal crônica e osteoporose?

O denosumab é um anticorpo monoclonal que inibe o RANKL, reduzindo a reabsorção óssea. Diferente dos bisfosfonatos, sua eliminação não é renal, tornando-o uma opção segura e eficaz para pacientes com insuficiência renal crônica, mesmo em estágios avançados, sem necessidade de ajuste de dose.

Quais são os pilares do tratamento não farmacológico para osteoporose?

Os pilares do tratamento não farmacológico incluem a ingestão adequada de cálcio (dieta e/ou suplementos) e vitamina D, prática regular de exercícios físicos com carga (para fortalecer ossos e músculos), prevenção de quedas (adaptação ambiental, fisioterapia) e cessação de tabagismo e consumo excessivo de álcool. Essas medidas são complementares à terapia medicamentosa.

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