Manejo da Osteoporose após Fratura de Quadril

TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 74 anos, com antecedente de hipertensão e em uso de losartana e anlodipino, vem ao consultório encaminhada pela ortopedia com fratura transtrocanteriana de quadril após queda da própria altura. Paciente refere que diariamente consome dois copos de leite, uma unidade de iogurte natural e uma fatia grossa de queijo. A paciente encontra-se assintomática, sem alterações ao exame físico, com pressão arterial 120x80mmHg, traz densitometria óssea com T-score de -2.1 em coluna lombar. T-score de -2.8 em colo de fêmur contralateral à fratura e Tscore de-2.7 em femur total. Considerando o diagnóstico mais provável, qual a melhor abordagem?

Alternativas

  1. A) Iniciar reposição de vitamina D semanal e otimizar ingesta de cálcio na dieta.
  2. B) Iniciar reposição de vitamina D diária e iniciar tratamento com ácido zoledrónico.
  3. C) Otimizar ingesta de cálcio na dieta e iniciar tratamento com ácido zoledrônico.
  4. D) Iniciar reposição de vitamina D semanal e tratamento com ácido zoledrônico.

Pérola Clínica

Fratura por fragilidade = Diagnóstico de Osteoporose. Conduta: Vitamina D + Antirreabsortivo (ex: Ácido Zoledrônico).

Resumo-Chave

Uma fratura de quadril após queda da própria altura define osteoporose clínica, independentemente do T-score, exigindo tratamento farmacológico imediato.

Contexto Educacional

A osteoporose é uma doença osteometabólica sistêmica caracterizada por redução da massa óssea e deterioração da microarquitetura, resultando em aumento da fragilidade óssea. As fraturas de quadril representam a complicação mais devastadora, com altas taxas de morbidade, perda de independência e mortalidade em um ano. O tratamento farmacológico é obrigatório após uma fratura por fragilidade para prevenir eventos subsequentes (prevenção secundária). Os bisfosfonatos são a primeira linha de tratamento, agindo na inibição da reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos. O ácido zoledrônico destaca-se pela potência e conveniência. Antes de iniciar bisfosfonatos, é crucial garantir a suficiência de vitamina D e cálcio, além de avaliar a função renal (ClCr > 35 mL/min). Além da medicação, o manejo integral inclui a correção de fatores de risco ambientais para quedas, fisioterapia para fortalecimento muscular e equilíbrio, e cessação de hábitos deletérios como tabagismo e etilismo.

Perguntas Frequentes

Como é feito o diagnóstico de osteoporose?

O diagnóstico de osteoporose pode ser estabelecido de duas formas principais: densitométrica ou clínica. Pelo critério densitométrico, utiliza-se um T-score ≤ -2,5 DP na densitometria óssea (coluna lombar, colo do fêmur, fêmur total ou rádio 33%). Pelo critério clínico, a ocorrência de uma fratura por fragilidade (queda da própria altura ou trauma leve) em vértebra ou quadril confirma o diagnóstico, independentemente do valor do T-score. No caso da paciente de 74 anos com fratura transtrocanteriana, o diagnóstico de osteoporose grave é imediato e a terapia deve ser iniciada.

Qual a vantagem do ácido zoledrônico no tratamento da osteoporose?

O ácido zoledrônico é um bisfosfonato potente administrado por via intravenosa anualmente. Suas principais vantagens incluem a garantia de 100% de adesão terapêutica (fator crítico no tratamento da osteoporose) e a ausência de efeitos colaterais gastrointestinais, comuns aos bisfosfonatos orais. Estudos demonstraram que o ácido zoledrônico reduz significativamente o risco de novas fraturas vertebrais, não vertebrais e de quadril, além de estar associado a uma redução na mortalidade total quando iniciado após uma fratura de quadril.

Quando é necessário suplementar cálcio medicamentoso?

A suplementação de cálcio deve ser individualizada e reservada para pacientes que não atingem a meta diária recomendada (cerca de 1.200 mg para mulheres idosas) através da dieta. Se a ingestão dietética for adequada — como no caso da paciente que consome leite, iogurte e queijo regularmente — a suplementação medicamentosa não é necessária e pode até ser prejudicial, aumentando o risco de litíase renal e calcificações vasculares. Já a vitamina D frequentemente requer suplementação, pois a síntese cutânea e a ingestão dietética costumam ser insuficientes em idosos.

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