UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Mulher de 64 anos, viúva e aposentada, procurou médico de família para verificar, por meio de exames, a dosagem de vitamina D e se tem osteoporose. Ela sempre praticou atividade física e atualmente realiza caminhadas cinco vezes por semana. Refere menopausa aos 47 anos, é tabagista de 20 maços/ano, consume álcool (3 doses/dia) e tem IMC = 20. Mora em casa de dois andares com sua mãe de 83 anos, que apresentou fratura de quadril aos 70 anos, da qual é a única cuidadora. Sua dieta é rica em legumes,verduras e frutas, bebe leite diariamente, mas come pouca proteína, carboidrato e açúcar. O médico decidiu calcular o FRAX clínico, que mostrou um valor de 9,8%, para fratura maior, e de 3,7%, para fratura de quadril. De acordo com o caso apresentado:a) Cite três fatores de risco incluídos na análise do FRAX clínico.b) Identifique, nesse caso, se é necessário realizar algum exame para esclarecer o diagnóstico da osteoporose. Caso positivo, aponte a indicação para a realização do exame.c) Identifique o exame mais indicado para o diagnóstico de osteoporose e o critério utilizado para a definição do diagnóstico.d) Aponte o tratamento farmacológico de escolha.
FRAX >3% fratura quadril ou >20% fratura maior → densitometria óssea e possível tratamento.
O FRAX é uma ferramenta importante para avaliar o risco de fratura em 10 anos, mas não diagnostica osteoporose. A densitometria óssea é o padrão-ouro para o diagnóstico, e a decisão de tratamento farmacológico depende do T-score e do risco de fratura.
A osteoporose é uma doença esquelética sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, com consequente aumento da fragilidade óssea e suscetibilidade a fraturas. É uma condição prevalente, especialmente em mulheres pós-menopausa, e representa um importante problema de saúde pública devido à morbidade e mortalidade associadas às fraturas. A avaliação do risco de fratura é multifatorial e pode ser auxiliada por ferramentas como o FRAX (Fracture Risk Assessment Tool), que calcula a probabilidade de fratura osteoporótica maior e de quadril em 10 anos, considerando idade, sexo, IMC, história de fratura prévia, uso de glicocorticoides, tabagismo, álcool, artrite reumatoide e história familiar de fratura de quadril. No entanto, o FRAX não diagnostica osteoporose, apenas estratifica o risco. O diagnóstico definitivo de osteoporose é estabelecido pela densitometria óssea (DXA), que mede a densidade mineral óssea (DMO). O critério diagnóstico é um T-score ≤ -2,5 em coluna lombar, fêmur total ou colo do fêmur. A indicação para DXA inclui mulheres >65 anos, homens >70 anos, adultos com fraturas de fragilidade, condições clínicas associadas à perda óssea ou quando o FRAX indica alto risco. O tratamento farmacológico de primeira linha, na ausência de contraindicações, são os bifosfonatos, que atuam inibindo a reabsorção óssea.
No caso, os fatores de risco incluem idade (>65 anos), menopausa precoce (47 anos), tabagismo (20 maços/ano), consumo de álcool (3 doses/dia), baixo IMC (20) e história familiar de fratura de quadril (mãe aos 70 anos).
A densitometria óssea é indicada para mulheres >65 anos, homens >70 anos, adultos com fratura de fragilidade, condições associadas à perda óssea ou quando o FRAX indica alto risco de fratura (ex: >3% para quadril ou >20% para fratura maior).
O diagnóstico de osteoporose é feito por um T-score ≤ -2,5 em qualquer sítio (coluna lombar, fêmur total ou colo do fêmur). O tratamento farmacológico de escolha são os bifosfonatos (alendronato, risedronato) como primeira linha, se não houver contraindicações.
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