TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Qual dos seguintes não é um fator de risco para osteoporose:
Obesidade é fator protetor para osteoporose; baixo peso (IMC < 19 kg/m²) é fator de risco clássico.
Diferente de outras doenças metabólicas, a obesidade protege contra a osteoporose devido à maior carga mecânica sobre o osso e à conversão periférica de androgênios em estrogênios no tecido adiposo.
A osteoporose é uma doença sistêmica caracterizada por baixa massa óssea e deterioração da microarquitetura do tecido ósseo. A identificação de fatores de risco é crucial para decidir o início do rastreamento com densitometria óssea (DXA). Os principais fatores incluem idade avançada (>65 anos em mulheres), sexo feminino, etnia branca/oriental, história familiar de fratura de quadril, tabagismo, etilismo, uso crônico de corticoides e baixo peso corporal. É fundamental diferenciar que, embora a obesidade proteja contra a osteoporose, ela não protege contra quedas, e o tipo de fratura em pacientes obesos pode diferir daquelas em pacientes magros.
A obesidade exerce um efeito protetor sobre a densidade mineral óssea por dois mecanismos principais: mecânico e hormonal. O aumento da carga mecânica (peso corporal) estimula a atividade dos osteoblastos, favorecendo a formação óssea. Hormonalmente, o tecido adiposo é um local de conversão periférica de precursores androgênicos em estrogênios através da enzima aromatase; níveis mais elevados de estrogênio circulante em mulheres pós-menopausa obesas ajudam a inibir a reabsorção óssea mediada pelos osteoclastos.
O tabagismo é um fator de risco significativo e independente para a osteoporose. Ele possui um efeito tóxico direto nos osteoblastos e altera o metabolismo do estrogênio, acelerando sua degradação hepática (efeito antiestrogênico). Além disso, fumantes tendem a ter menor peso corporal, menor absorção intestinal de cálcio e níveis mais baixos de vitamina D, todos fatores que contribuem para a redução da massa óssea e aumento do risco de fraturas.
A menopausa precoce (antes dos 40-45 anos) resulta em uma privação estrogênica prolongada durante anos críticos de manutenção da massa óssea. O estrogênio é fundamental para o equilíbrio do remodelamento ósseo, pois limita a vida útil dos osteoclastos. Sem essa proteção hormonal precoce, ocorre uma aceleração da perda óssea, elevando drasticamente o risco de osteoporose e fraturas por fragilidade em idades mais jovens comparado a mulheres com menopausa em idade fisiológica.
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