AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2022
Mulher de 62 anos, diabética, procura atendimento por dor em pé esquerdo há 2 semanas. Há cerca de um mês, teve ferimento no mesmo pé com saída de secreção por alguns dias e cicatrização completa após. Ao exame, há edema e calor na região do primeiro metatarso. Realizado Raio-X que se mostrou normal. Qual a melhor conduta?
Pé diabético + infecção + RX normal + alta suspeita de osteomielite → RM é o exame de escolha para diagnóstico precoce.
Em pacientes diabéticos com suspeita de osteomielite no pé, a radiografia simples pode ser normal nas fases iniciais da doença. Nesses casos, a ressonância magnética (RM) é o exame de imagem de escolha devido à sua alta sensibilidade e especificidade para detectar alterações ósseas precoces e diferenciar osteomielite de celulite.
A osteomielite em pé diabético é uma complicação grave e frequente, responsável por um número significativo de amputações em pacientes com diabetes. A neuropatia periférica, a doença arterial periférica e a imunodeficiência relativa predispõem esses pacientes a infecções que podem progredir rapidamente para o osso. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são cruciais para preservar o membro e a qualidade de vida do paciente. A suspeita clínica de osteomielite deve ser alta em pacientes diabéticos com úlceras de difícil cicatrização, ferimentos prévios ou sinais inflamatórios locais persistentes. Embora a radiografia simples seja o exame inicial, sua sensibilidade é baixa nas fases precoces, podendo ser normal por semanas. A ausência de alterações radiográficas não exclui a osteomielite, especialmente se houver alta suspeita clínica. Nesses casos, a ressonância magnética (RM) é o exame de imagem de escolha, oferecendo alta sensibilidade e especificidade para detectar edema medular, destruição cortical e coleções subperiosteais, diferenciando a osteomielite de outras condições como celulite ou artropatia de Charcot. A biópsia óssea com cultura é o padrão-ouro para o diagnóstico definitivo e identificação do patógeno, guiando a terapia antibiótica prolongada. O manejo envolve uma abordagem multidisciplinar, incluindo controle glicêmico, desbridamento cirúrgico e antibioticoterapia prolongada.
O Raio-X pode ser normal nas fases iniciais da osteomielite porque as alterações ósseas (como erosões ou periostite) demoram cerca de 2 a 4 semanas para se tornarem visíveis radiograficamente.
A ressonância magnética (RM) é o exame de imagem mais sensível e específico para o diagnóstico precoce de osteomielite, permitindo identificar edema medular e outras alterações antes do Raio-X.
Sinais clínicos incluem dor persistente, edema, calor local, eritema, drenagem purulenta, e história de úlcera ou ferimento prévio, especialmente em pacientes com neuropatia e doença vascular periférica.
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