MedEvo Simulado — Prova 2026
Cláudio, um homem de 48 anos, foi submetido à redução aberta e fixação interna com placa e parafusos de uma fratura exposta de tíbia esquerda (Gustilo II) há oito meses. Evoluiu inicialmente bem, mas há três semanas passou a notar a saída de secreção amarelada e fluida por um pequeno orifício sobre a cicatriz cirúrgica. Ele nega febre, calafrios ou mal-estar sistêmico, relatando apenas um desconforto local leve ao deambular. Ao exame físico, apresenta uma fístula cutânea no terço médio da região pré-tibial com drenagem de líquido seropurulento, sem sinais de flogose aguda exuberante ou instabilidade do foco da fratura. Radiografias recentes mostram calo ósseo em formação, porém com áreas de radiolucência ao redor de um dos parafusos distais e reação periosteal espessada. Diante da principal hipótese diagnóstica, a conduta mais adequada é:
Fístula + radiolucência periprotética → Osteomielite crônica → Desbridamento + Cultura profunda.
O diagnóstico de osteomielite crônica baseia-se na clínica e imagem; o tratamento definitivo exige desbridamento cirúrgico e culturas de tecidos profundos para guiar a antibioticoterapia.
A osteomielite crônica pós-traumática é uma complicação desafiadora, frequentemente associada à formação de biofilmes bacterianos em materiais de síntese. A fisiopatologia envolve a persistência de microrganismos em tecido ósseo necrótico (sequestro) protegido por uma cápsula de osso novo (invólucro). O tratamento eficaz requer uma abordagem multidisciplinar, focada no desbridamento agressivo de todo tecido desvitalizado e na estabilização mecânica. A antibioticoterapia deve ser guiada por culturas de fragmentos ósseos profundos obtidos no intraoperatório, sendo mantida por tempo prolongado (geralmente 6 semanas ou mais) para garantir a erradicação bacteriana e prevenir recidivas.
O swab de fístula apresenta baixa correlação com os patógenos reais presentes no osso infectado. A fístula é frequentemente colonizada por flora polimicrobiana da pele, o que pode levar a um tratamento antibiótico inadequado. O padrão-ouro para o diagnóstico microbiológico é a coleta de fragmentos ósseos ou tecidos profundos durante o desbridamento cirúrgico, garantindo a identificação do agente causador da infecção óssea.
Radiografias podem mostrar reação periosteal, sequestro ósseo e radiolucência periprotética. A Tomografia Computadorizada é superior para detalhamento ósseo e identificação de sequestros, enquanto a Ressonância Magnética é excelente para avaliar o envolvimento de partes moles e edema medular, auxiliando no planejamento cirúrgico e na delimitação da extensão da infecção.
A retirada é indicada se houver instabilidade do foco da fratura ou se a infecção não puder ser controlada com o implante presente devido ao biofilme. Se a fratura estiver consolidada, o material deve ser removido para erradicação completa do foco infeccioso. Em casos de não união, pode ser necessária a troca do material por fixação externa ou nova síntese após desbridamento.
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