UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Um menino de 8 anos, previamente saudável, é levado ao serviço de emergência com dor intensa em joelho esquerdo, febre de 38,9°C e claudicação. A avaliação inicial revelou leucocitose com neutrofilia, Proteína C Reativa (PCR) de 98 mg/L e Velocidade de Hemossedimentação (VHS) de 104 mm/h. A RM confirmou osteomielite aguda em metáfise distal do fêmur. Iniciou-se antibioticoterapia empírica com oxacilina endovenosa. Após dez dias, o paciente evoluiu com melhora clínica significativa, sem febre, e com deambulação sem dor. Os exames laboratoriais mostraram PCR = 5 mg/L, VHS = 42 mm/h e leucócitos = 7.800/mm³. Com base no seguimento clínico e laboratorial da osteomielite aguda hematogênica, a conduta mais adequada para esse caso é:
Melhora clínica + queda de PCR → Transição para antibiótico oral na osteomielite.
A osteomielite aguda em crianças permite transição precoce para via oral após estabilização clínica e queda dos marcadores inflamatórios, otimizando a alta hospitalar.
A osteomielite aguda hematogênica é uma emergência pediátrica que atinge principalmente a metáfise de ossos longos. O Staphylococcus aureus é o principal agente. O tratamento clássico envolvia longos períodos de internação para antibiótico venoso, mas estudos recentes demonstram que a transição precoce para via oral é segura e eficaz. No caso apresentado, o paciente preenche todos os requisitos para a desospitalização: está assintomático, deambulando e com PCR normalizada. A manutenção do tratamento por via oral garante a erradicação bacteriana com menor custo e menor risco de complicações associadas ao acesso venoso prolongado.
Os critérios principais são: paciente afebril por 48 a 72 horas, melhora evidente dos sinais inflamatórios locais (redução da dor e edema, retorno da mobilidade), boa aceitação da via oral e queda significativa da Proteína C Reativa (geralmente abaixo de 20 mg/L ou redução de 50% do valor inicial).
O tempo total de antibioticoterapia (soma do período venoso e oral) geralmente varia de 3 a 4 semanas para casos não complicados. A duração é guiada pela resposta clínica e pela normalização dos exames laboratoriais, especialmente a PCR, enquanto o VHS pode demorar mais para normalizar.
A PCR tem uma meia-vida curta (cerca de 19 horas) e reflete mudanças agudas na inflamação, normalizando-se rapidamente após o controle da infecção. O VHS é uma proteína de fase subaguda que pode permanecer elevada por semanas, não sendo um bom parâmetro para decidir a alta ou a troca de via de administração.
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