Osteocondroma: Diagnóstico e Manejo em Adolescentes

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023

Enunciado

Adolescente, 15a, procura médico de família muito preocupada com aumento de volume localizado no terço proximal da região tibial direita há cerca de quatro anos. Nega dor no local e limitação de atividades físicas. Traz exames que confirmam o diagnóstico de osteocondroma. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Encaminhar para ressecção do tumor, pelo risco elevado de degeneração sarcomatosa para condrossarcoma.
  2. B) Realizar acompanhamento clínico e radiológico, sem necessidade de ressecção.
  3. C) Solicitar cintilografia óssea, para diferenciar entre tumor ósseo benigno e maligno.
  4. D) Encaminhar para radioterapia, pelo risco elevado de degeneração sarcomatosa para condrossarcoma.

Pérola Clínica

Osteocondroma assintomático → acompanhamento clínico e radiológico, sem ressecção.

Resumo-Chave

O osteocondroma é o tumor ósseo benigno mais comum, geralmente assintomático e descoberto incidentalmente. Na ausência de dor, crescimento rápido, compressão neurovascular ou deformidade, a conduta é conservadora, com acompanhamento clínico e radiológico. O risco de degeneração maligna para condrossarcoma é baixo (1-2%) e ocorre principalmente em lesões grandes ou na síndrome de exostoses múltiplas.

Contexto Educacional

O osteocondroma é o tumor ósseo benigno mais frequentemente diagnosticado, representando cerca de 35-50% de todos os tumores ósseos benignos. Geralmente se manifesta na infância ou adolescência, crescendo até o fechamento das epífises. É uma exostose osteocartilaginosa que surge da superfície externa do osso, com uma capa cartilaginosa que se continua com a cartilagem da placa de crescimento e uma medula óssea que se comunica com a medula do osso adjacente. O diagnóstico é frequentemente incidental, em exames de imagem realizados por outros motivos, ou quando a lesão se torna palpável. Radiografias simples são geralmente suficientes para o diagnóstico, mostrando uma lesão pediculada ou séssil com continuidade cortical e medular com o osso subjacente. A ressonância magnética pode ser útil para avaliar a capa cartilaginosa e descartar malignidade, especialmente em lesões grandes ou sintomáticas. A conduta para osteocondromas assintomáticos, como no caso da adolescente, é o acompanhamento clínico e radiológico regular. A ressecção cirúrgica é reservada para casos sintomáticos (dor, compressão neurovascular, limitação funcional) ou quando há sinais de malignização, como crescimento rápido na idade adulta, dor súbita ou espessamento da capa cartilaginosa (> 2 cm em adultos). O risco de degeneração para condrossarcoma é baixo, mas deve ser monitorado, especialmente em pacientes com exostoses múltiplas.

Perguntas Frequentes

O que é um osteocondroma?

O osteocondroma, também conhecido como exostose osteocartilaginosa, é o tumor ósseo benigno mais comum. Caracteriza-se por uma projeção óssea coberta por cartilagem que se desenvolve na superfície externa do osso, geralmente perto das placas de crescimento de ossos longos, como fêmur e tíbia.

Quando o osteocondroma requer tratamento cirúrgico?

A ressecção cirúrgica do osteocondroma é indicada principalmente em casos sintomáticos, como dor persistente, compressão de nervos ou vasos, limitação de movimento articular, ou quando há suspeita de degeneração maligna (crescimento rápido, dor súbita, tamanho > 5 cm em adultos).

Qual o risco de malignização de um osteocondroma?

O risco de degeneração maligna de um osteocondroma solitário para condrossarcoma é baixo, estimado em cerca de 1-2%. Esse risco é maior em pacientes com exostoses múltiplas hereditárias e em lesões que apresentam crescimento rápido, dor ou tamanho significativo na idade adulta.

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