UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Homem, 64 anos de idade, tem dor no quadril direito há 4 anos, com piora há 1 ano quando parou de praticar futebol que praticava rotineiramente. A dor localiza-se na região anterior do quadril e é pior no início dos movimentos, por vezes com irradiação para joelho direito. Exame físico: dor e redução de amplitude de movimento do quadril direito principalmente para rotação interna e externa, crepitações finas em ambos os joelhos e teste de Lasègue negativo. Qual é a principal hipótese diagnóstica e o exame complementar inicial a ser solicitado para investigação?
Dor inguinal + rigidez matinal curta + ↓ rotação interna + RX (espaço ↓) = Osteoartrite.
A osteoartrite de quadril (coxartrose) apresenta dor mecânica e limitação funcional, sendo a radiografia simples o exame padrão-ouro inicial para diagnóstico.
A osteoartrite de quadril é uma doença degenerativa da cartilagem articular que afeta uma parcela significativa da população idosa. A fisiopatologia envolve um desequilíbrio entre a degradação e a síntese da matriz extracelular pelos condrócitos, exacerbado por estresse mecânico. O diagnóstico é eminentemente clínico-radiológico. A radiografia simples de bacia e quadris é suficiente na maioria dos casos, mostrando o estreitamento do espaço articular. Exames mais complexos como a RM são reservados para suspeita de necrose avascular da cabeça femoral ou lesões labrais em pacientes jovens sem sinais radiográficos de artrose.
Os quatro sinais radiográficos cardinais da osteoartrite (incluindo a coxartrose) são: 1) Redução do espaço articular (assimétrica); 2) Osteófitos marginais; 3) Esclerose do osso subcondral; e 4) Cistos ou geodos subcondrais. Na radiografia de bacia em AP e falso perfil de Lequesne, esses achados confirmam o diagnóstico e auxiliam na classificação de gravidade (como a escala de Kellgren-Lawrence).
A dor da osteoartrite de quadril é tipicamente mecânica (piora com o uso, melhora com o repouso), localizada na virilha (região anterior) e pode irradiar para a coxa ou joelho. A limitação da rotação interna é frequentemente o primeiro sinal físico. Diferencia-se da dor trocantérica (lateral), da dor lombar irradiada (teste de Lasègue positivo) e de tendinopatias (dor à palpação de tendões específicos ou contra-resistência).
O tratamento inicial é conservador e foca no controle da dor e manutenção da função. Inclui perda de peso (se sobrepeso), fisioterapia para fortalecimento de glúteos e estabilizadores, exercícios de baixo impacto e uso de analgésicos ou anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) em períodos de crise. O uso de bengalas no lado contralateral pode reduzir a carga na articulação afetada. A cirurgia (artroplastia) é reservada para casos refratários com grande impacto na qualidade de vida.
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