Osteoartrite de Mãos: Diagnóstico e Desafios em Idosos

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Sra. Mittzi, professora aposentada, 76 anos, tem queixas de dores nas mâos, em fisgadas, por vezes pulsáteis como se quisessem “mais espaço", segundo ela. Aponta que tanto as interfalangeanas proximais quanto as distais a incomodam muito. Já consultou anteriormente outros médicos, mas como viu seu nome na lista do convênio e o reconheceu como ex-aluno(a), sentlu-se confiante em finalmente ter um tratamento eficaz. Trouxe exames revelando fator reumatoide positivo, VHS de 11mm, FAN 1/80 nuclear pontilhado fino, antiestreptolislna O 800e Waaler Rose negativo. É muito provável que se trate de

Alternativas

  1. A) concomitância de artrite reumatoide seropositiva e lúpus eritematoso.
  2. B) artrite psoriática sero negativa necessitando confirmação com biopsia de pele.
  3. C) amiloidose necessitando a avaliação de provável lesão de órgão salvo como o rim.
  4. D) lúpus eritematoso sistêmico tardio, embora mais benigno que o juvenil, se associaa maior risco cardiovascular.
  5. E) osteoartrite de mãos, ainda sem deformidades degenerativas (nódulos de Heberden) mas merecendo avaliação e atenção redobradas com acolhimento.

Pérola Clínica

Dor em IFP/IFD + FR positivo + VHS normal em idoso → Pense em Osteoartrite, não apenas inflamatória.

Resumo-Chave

A osteoartrite de mãos é comum em idosos, afetando IFP e IFD. Fator reumatoide pode ser positivo em baixos títulos em idosos sem artrite reumatoide, e um VHS normal afasta um processo inflamatório ativo, direcionando o diagnóstico para OA.

Contexto Educacional

A osteoartrite (OA) é a doença articular mais comum, afetando milhões de pessoas, especialmente idosos. Caracteriza-se pela degeneração da cartilagem articular e alterações ósseas subcondrais, levando a dor, rigidez e perda de função. Nas mãos, a OA afeta tipicamente as articulações interfalangeanas proximais (IFP), distais (IFD) e a base do polegar (rizartrose), sendo uma causa frequente de dor crônica e incapacidade. O diagnóstico da OA é primariamente clínico, baseado nos sintomas e exame físico. Exames complementares, como radiografias, podem mostrar estreitamento do espaço articular, osteófitos e esclerose subcondral. Marcadores laboratoriais, como o fator reumatoide (FR) e o fator antinuclear (FAN), podem ser positivos em baixos títulos em idosos sem doença autoimune, e um VHS normal é um forte indicativo contra um processo inflamatório ativo, ajudando a diferenciar a OA de artrites inflamatórias como a artrite reumatoide ou o lúpus. O tratamento da osteoartrite é multifacetado, incluindo medidas não farmacológicas (exercícios, órteses, termoterapia), farmacológicas (analgésicos, anti-inflamatórios não esteroidais, condroprotetores) e, em casos avançados, cirúrgicas. É crucial o acolhimento do paciente e a educação sobre a doença, visando o controle da dor, a manutenção da função e a melhoria da qualidade de vida, evitando tratamentos desnecessários para doenças inflamatórias não presentes.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos da osteoartrite de mãos?

A osteoartrite de mãos tipicamente apresenta dor e rigidez nas articulações interfalangeanas proximais e distais, e na base do polegar. Pode haver inchaço e, em estágios avançados, deformidades como os nódulos de Heberden (distais) e Bouchard (proximais).

Um fator reumatoide positivo sempre indica artrite reumatoide?

Não. O fator reumatoide pode ser positivo em outras condições, como infecções crônicas, doenças autoimunes (não-AR), e em até 10-15% da população idosa saudável, sendo considerado um achado inespecífico se isolado e sem outros critérios clínicos e laboratoriais de inflamação.

Como diferenciar osteoartrite de artrite reumatoide nas mãos?

A osteoartrite afeta predominantemente IFP, IFD e base do polegar, com dor mecânica e rigidez matinal curta. A artrite reumatoide tipicamente afeta metacarpofalangeanas e IFP, com dor inflamatória, rigidez matinal prolongada (>30 min) e sinovite.

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