USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025
Mulher, 65 anos de idade, com dor em joelhos bilateralmente ao andar, levantar da cadeira e agachar. Nega febre e sintomas constitucionais. Antecedentes: hipertensão controlada e dislipidemia. Ao exame clínico, apresentou IMC de 32 kg/m², hipotrofia do quadríceps bilateralmente, aumento de volume dos joelhos, crepitações na flexão passiva bilateralmente. No joelho direito há um discreto aumento de temperatura e pequeno derrame articular. Uso de combinação de diclofenaco + cafeína + carisoprodol + paracetamol quase diariamente nas últimas duas semanas. O tratamento mais adequado neste momento é:
Gonartrose com sinais inflamatórios ou derrame → Infiltração com corticoide é a conduta de escolha.
A infiltração intra-articular com glicocorticoides é indicada para alívio rápido da dor em pacientes com osteoartrite que apresentam sinais de sinovite ou derrame articular, superando o benefício de terapias orais isoladas.
A osteoartrite (OA) é uma doença degenerativa, mas frequentemente apresenta componentes inflamatórios intermitentes. O quadro clínico descrito (dor ao agachar, crepitação e derrame) em uma paciente obesa é clássico de gonartrose. O uso abusivo de analgésicos e AINEs (como a combinação citada) aumenta o risco de efeitos colaterais gastrointestinais e renais, tornando a terapia local mais segura. As diretrizes do ACR (American College of Rheumatology) e OARSI recomendam fortemente a infiltração com glicocorticoides para alívio de curto prazo. A presença de derrame articular é um preditor de boa resposta a essa intervenção. O tratamento deve ser complementado com perda de peso e fortalecimento do quadríceps para estabilização articular a longo prazo.
A infiltração intra-articular com glicocorticoides está indicada principalmente em pacientes com osteoartrite que apresentam exacerbação dos sintomas dolorosos acompanhada de sinais inflamatórios, como derrame articular ou calor local. É uma excelente opção para pacientes que não toleram AINEs orais ou que apresentam dor refratária ao tratamento conservador inicial. O objetivo é a redução da sinovite e o alívio sintomático rápido, permitindo que o paciente retorne às atividades de reabilitação física.
O glicocorticoide intra-articular (como a triancinolona ou hexacetonida) possui um efeito anti-inflamatório potente e rápido, sendo ideal para fases agudas com derrame. Já o ácido hialurônico (viscossuplementação) visa melhorar as propriedades reológicas do líquido sinovial e tem um início de ação mais lento, sendo geralmente reservado para casos crônicos sem sinais inflamatórios exuberantes, embora sua eficácia seja debatida em diretrizes recentes.
Embora eficaz, a infiltração repetida de glicocorticoides (mais de 3 a 4 vezes por ano no mesmo local) pode acelerar a perda de cartilagem articular e aumentar o risco de infecção (artrite séptica iatrogênica). Além disso, pode haver atrofia cutânea no local da punção e hiperglicemia transitória em pacientes diabéticos. Por isso, deve ser utilizada como parte de um plano terapêutico multimodal, e não como terapia isolada recorrente.
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