Manejo da Osteoartrite no Idoso Frágil com Comorbidades

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Uma paciente de 82 anos, viúva e previamente independente, é levada ao consultório por sua filha devido a dores crônicas em ambos os joelhos que pioraram nos últimos seis meses, limitando suas caminhadas no parque. A paciente apresenta índice de massa corporal (IMC) de 32 kg/m² e possui histórico médico de hipertensão arterial sistêmica, doença renal crônica estágio 3b (ritmo de filtração glomerular estimado de 38 mL/min/1,73m²) e um episódio de hemorragia digestiva alta há cinco anos relacionado ao uso de diclofenaco para dor lombar. Ao exame físico, apresenta crepitação óssea bilateral nos joelhos, nódulos de Heberden nas mãos e atrofia visível do quadríceps. A força de preensão palmar está reduzida (15 kg) e o teste Timed Up and Go (TUG) é de 16 segundos. Diante do quadro de osteoartrite inserido em um contexto de fragilidade e múltiplas comorbidades, assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial mais adequada.

Alternativas

  1. A) Iniciar naproxeno em dose plena associado a inibidor de bomba de prótons e encaminhar precocemente para avaliação de artroplastia total de joelhos.
  2. B) Prescrever celecoxibe para controle inflamatório e encaminhar para hidroginástica, visando reduzir o impacto articular e o risco de novos sangramentos.
  3. C) Indicar infiltração intra-articular com corticoide de depósito e recomendar repouso relativo nos dias de maior intensidade dolorosa para preservar a cartilagem.
  4. D) Estimular a perda ponderal associada a um programa de exercícios de resistência supervisionados e prescrever paracetamol para manejo da dor.

Pérola Clínica

Osteoartrite + DRC + Sangramento prévio → Evitar AINEs; Focar em perda de peso + exercícios + paracetamol.

Resumo-Chave

O manejo inicial da osteoartrite no idoso frágil prioriza medidas não farmacológicas (perda de peso e fortalecimento) e analgésicos simples, evitando AINEs devido ao alto risco renal e gastrointestinal.

Contexto Educacional

A osteoartrite (OA) no idoso deve ser abordada sob a ótica da geriatria, considerando a síndrome de fragilidade e as múltiplas comorbidades. A paciente apresenta critérios de fragilidade (baixa força de preensão e lentidão no TUG), o que torna a reabilitação física ainda mais crítica. A obesidade (IMC 32) sobrecarrega as articulações de carga, tornando a perda de peso uma intervenção de alta evidência para redução da dor e melhora da função. A escolha farmacológica é limitada pela função renal e risco gástrico, exigindo cautela extrema com AINEs.

Perguntas Frequentes

Por que evitar AINEs nesta paciente?

A paciente apresenta Doença Renal Crônica (DRC) estágio 3b (RFGe 38 mL/min) e histórico de hemorragia digestiva alta (HDA) prévia por diclofenaco. O uso de AINEs, mesmo os inibidores seletivos da COX-2 ou associados a IBP, aumenta significativamente o risco de injúria renal aguda, progressão da DRC e recorrência de sangramentos gastrointestinais graves, sendo contraindicados neste cenário clínico de alta vulnerabilidade.

Qual o papel do exercício resistido na osteoartrite?

O exercício de resistência supervisionado é fundamental para reverter a atrofia do quadríceps, comum na osteoartrite de joelho, e melhorar a estabilidade articular. Em pacientes frágeis (TUG 16s, força reduzida), o fortalecimento muscular reduz a dor, melhora a funcionalidade e diminui o risco de quedas, sendo superior ao repouso, que deve ser evitado para não agravar a sarcopenia.

O paracetamol é eficaz na osteoartrite?

Embora o paracetamol tenha um efeito analgésico modesto em comparação aos AINEs, ele é considerado a primeira linha farmacológica em pacientes com contraindicações formais aos anti-inflamatórios. Deve ser utilizado em doses seguras (até 3g/dia no idoso) como adjuvante às medidas não farmacológicas, que são os pilares do tratamento a longo prazo.

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