USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Caso 1 Mulher, 65 anos, queixa-se de dor crônica em joelhos quando anda, com piora ao longo do dia. Nega febre ou perda de peso. Apresenta antecedente de diabetes, dislipidemia e hipertensão, em controle clínico regular. No exame clínico, encontra-se com índice de massa corpórea de 32 kg/m² e hipotrofia dos quadríceps bilateralmente. Há aumento de volume dos joelhos com crepitações na flexão ativa e discreto varismo. No joelho direito, há leve aumento de temperatura e derrame discreto. Exames complementares mostraram hemograma sem alterações e proteína C-Reativa de 8 mg/L. Quais são as características do líquido sinovial compatíveis com a principal hipótese diagnóstica para o caso?
A osteoartrite (OA) é a doença articular mais comum, caracterizada pela degeneração da cartilagem articular e remodelação óssea subcondral. Afeta predominantemente indivíduos mais velhos, com fatores de risco como obesidade, trauma articular prévio e predisposição genética. Clinicamente, manifesta-se por dor mecânica, rigidez matinal de curta duração, crepitação e, em casos avançados, deformidade articular. A fisiopatologia da OA envolve um desequilíbrio entre a degradação e a síntese da matriz cartilaginosa, levando à perda progressiva da cartilagem. Embora seja primariamente uma doença degenerativa, pode haver um componente inflamatório leve, especialmente em fases de exacerbação, o que justifica um derrame articular discreto e uma PCR levemente elevada, como no caso apresentado. A análise do líquido sinovial é uma ferramenta diagnóstica crucial para diferenciar a OA de outras artropatias. Na OA, o líquido é tipicamente "não inflamatório", com baixa contagem de leucócitos e predomínio de mononucleares, além de viscosidade geralmente normal ou levemente diminuída. A identificação dessas características é fundamental para o manejo adequado e para evitar tratamentos desnecessários para condições inflamatórias ou infecciosas.
O diagnóstico é clínico, baseado em dor no joelho, crepitação, rigidez matinal <30 minutos, idade >50 anos, e achados radiográficos como osteófitos e estreitamento do espaço articular. A obesidade e o varismo são fatores de risco importantes.
A análise do líquido sinovial permite classificar a artrite em não inflamatória, inflamatória ou séptica, com base na contagem de leucócitos, percentual de polimorfonucleares, viscosidade e presença de cristais, auxiliando a diferenciar osteoartrite de outras artropatias.
Um líquido sinovial inflamatório geralmente apresenta viscosidade diminuída, coloração turva ou amarela, contagem de leucócitos entre 2.000 e 75.000/mm³, e percentual de polimorfonucleares >50%, sendo comum em artrite reumatoide, gota e pseudogota.
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