UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Paciente feminina, de 68 anos, veio à consulta por dor articular nos dedos das mãos há 6 meses, associada à rigidez matinal de 20 minutos nas mesmas articulações. Referiu que a mãe tinha um ""reumatismo"" nas mãos. Negou história familiar de outras doenças. A paciente trouxe os resultados de alguns exames: velocidade de hemossedimentação de 32 mm e fator reumatoide de 18 UI (valor de referência: até 14 UI). Ao exame físico, foi constatado aumento de volume nas articulações interfalangianas proximais e distais simetricamente. O diagnóstico mais provável é
Mulher idosa com dor articular em mãos, rigidez matinal < 30 min, acometimento DIP/PIP, FR/VHS levemente ↑ → Osteoartrite nodal.
A paciente apresenta um quadro clínico clássico de osteoartrite (OA), especialmente a forma nodal, caracterizada por dor articular em mãos, rigidez matinal de curta duração (<30 min), acometimento de articulações interfalangianas distais (DIP) e proximais (PIP), e fator reumatoide (FR) e VHS que podem estar levemente elevados em idosos sem significar artrite reumatoide.
A dor articular nas mãos é uma queixa comum em pacientes idosos, e o diagnóstico diferencial entre as diversas artropatias é um desafio frequente na prática clínica e em provas de residência. A osteoartrite (OA), especialmente a forma nodal, é a causa mais prevalente de dor crônica nas articulações das mãos em idosos, e sua diferenciação de outras condições como a artrite reumatoide é crucial para o manejo adequado. Clinicamente, a osteoartrite das mãos se manifesta com dor que piora com o movimento e melhora com o repouso, rigidez matinal de curta duração (geralmente menos de 30 minutos) e acometimento característico das articulações interfalangianas distais (DIPs), com formação dos nódulos de Heberden, e das interfalangianas proximais (PIPs), com os nódulos de Bouchard. Embora o fator reumatoide e a velocidade de hemossedimentação possam estar levemente elevados em idosos, esses achados não são diagnósticos de artrite reumatoide na ausência de outros critérios. Em contraste, a artrite reumatoide tipicamente envolve as articulações metacarpofalangianas (MCPs) e PIPs, poupando as DIPs, e cursa com rigidez matinal mais prolongada (acima de 30 minutos), além de outros sinais inflamatórios sistêmicos. A polimialgia reumática afeta grandes articulações e cinturas, e a artrite psoriásica pode envolver DIPs, mas geralmente com lesões de pele e unhas. O reconhecimento desses padrões é fundamental para um diagnóstico preciso e um plano terapêutico eficaz.
Os principais sinais incluem dor articular que piora com o uso e melhora com o repouso, rigidez matinal de curta duração (geralmente menos de 30 minutos), e a presença de nódulos nas articulações interfalangianas distais (Nódulos de Heberden) e proximais (Nódulos de Bouchard).
A osteoartrite tipicamente afeta as articulações interfalangianas distais (DIP) e proximais (PIP), com rigidez matinal curta. A artrite reumatoide, por outro lado, classicamente acomete as metacarpofalangianas (MCP) e PIP, poupando as DIP, e apresenta rigidez matinal prolongada (mais de 30 minutos), além de ser mais inflamatória e simétrica.
O fator reumatoide (FR) não é um marcador diagnóstico para osteoartrite, mas pode estar levemente elevado em até 10-15% da população idosa, inclusive em pacientes com OA, sem que isso signifique a presença de artrite reumatoide. A interpretação deve ser feita no contexto clínico completo.
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