SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023
Dona Iolanda, de 65 anos, vem em atendimento médico por "dores nas juntas", acompanhada de sua filha. A filha está preocupada e conta que a paciente tem feito diversos tratamentos sozinha, além de trazer exames solicitados por outro profissional, assim como os medicamentos que tem feito uso para serem avaliados. Você primeiramente conversa com a paciente e descobre que a dor iniciou já há alguns anos, localizada em joelhos, quadris e alguns dedos das mãos, sendo pior de manhã - ao acordar sente as articulações rígidas para movimentos por cerca de 15 minutos - e ao fim do dia, principalmente quando realiza atividades domésticas. Dona Iolanda conta que as dores a desanimam para realizar alguma atividade física e atualmente possui índice de massa corporal de 30. Para conseguir alívio, tem feito uso de prednisona 40 mg de forma irregular há alguns meses, cápsulas de glucosamina e condroitina, além de aplicar diclofenaco pomada em mãos e joelhos. Ao exame físico, há a presença de crepitações em joelhos que se encontram edemaciados, limitação à rotação interna coxofemoral à direita e dor à palpação de interfalangianas distais (IFDs) em 2º e 3º quirodáctilos (QDs) bilateralmente, com visualização de nódulo em IFD de 2º QD de mão direita. O restante do exame físico não visualiza alterações. Laboratoriais: VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C reativa) dentro de valor de referência, fator reumatoide (prova do látex) 1:40, anti-CCP (anti-péptideo citrulinado cítrico) negativo, FAN (fator antinúcleo) não reagente, creatinina 0,56 e leucócitos 4 mil. Frente ao caso, você:
Osteoartrite: perda peso + exercício físico = alívio dor e melhora prognóstico.
A osteoartrite é uma doença articular degenerativa crônica, e o manejo inicial e fundamental inclui medidas não farmacológicas como exercícios físicos e perda de peso, que comprovadamente aliviam a dor e melhoram a função articular, sendo a base para um bom prognóstico.
A osteoartrite (OA) é a doença articular mais comum, caracterizada pela degeneração da cartilagem articular e alterações ósseas subcondrais, levando a dor, rigidez e perda de função. Afeta milhões de pessoas globalmente, especialmente idosos, e tem um impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico é clínico, baseado em sintomas como dor mecânica (piora com atividade, melhora com repouso), rigidez matinal de curta duração (<30 minutos) e achados ao exame físico, como crepitações e nódulos (Heberden nas IFDs, Bouchard nas IFPs). O manejo da osteoartrite é multifacetado e deve começar com abordagens não farmacológicas. A educação do paciente, a prática regular de exercícios físicos (aeróbicos, de fortalecimento e alongamento) e a perda de peso são intervenções de primeira linha com forte evidência de eficácia na redução da dor e melhora da função. A perda de apenas 5% do peso corporal pode trazer benefícios substanciais para articulações de carga, como joelhos e quadris. Embora medicamentos como anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) tópicos ou orais e analgésicos possam ser usados para alívio sintomático, o uso prolongado de corticosteroides sistêmicos não é recomendado devido aos efeitos adversos e à falta de benefício a longo prazo na OA. Suplementos como glucosamina e condroitina têm evidências limitadas de eficácia. A abordagem motivacional para incentivar mudanças no estilo de vida é crucial para o sucesso do tratamento a longo prazo.
Os pilares do tratamento não farmacológico da osteoartrite incluem exercícios físicos regulares (aeróbicos e de fortalecimento), perda de peso (especialmente em pacientes com sobrepeso/obesidade), educação do paciente e terapia ocupacional para proteção articular.
A perda de peso, mesmo que modesta (>=5% do peso corporal), reduz significativamente a carga sobre as articulações de suporte de peso (joelhos e quadris), diminuindo a dor e melhorando a função física em pacientes com osteoartrite.
As evidências científicas atuais não suportam o uso rotineiro de glucosamina e condroitina para o tratamento da osteoartrite, pois a maioria dos estudos não demonstrou benefício significativo na redução da dor ou na progressão da doença.
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