IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
No 4º dia pós-operatório de uma herniorrafia inguinal indireta recidivada à direita, com colocação de prótese pela técnica de Lichtenstein (aberta), o paciente apresenta dor e edema no testículo direito. O exame físico revela testículo direito doloroso, não apresentando a incisão cirúrgica sinais flogísticos. A hipótese mais provável é:
Dor + edema testicular pós-herniorrafia sem sinais flogísticos na ferida = Orquite Isquêmica.
A orquite isquêmica decorre da trombose do plexo pampiniforme devido à dissecção excessiva do cordão espermático, sendo mais comum em cirurgias de recidiva.
A herniorrafia inguinal pela técnica de Lichtenstein é o padrão-ouro para o tratamento de hérnias inguinais por via aberta, utilizando uma prótese de polipropileno para reforçar a parede posterior sem tensão. No entanto, em casos de recidiva, a reoperação exige uma dissecção mais agressiva do cordão espermático, o que aumenta significativamente o risco de lesões vasculares e nervosas. A orquite isquêmica é uma complicação vascular temida que se manifesta precocemente no pós-operatório. A fisiopatologia envolve o comprometimento do retorno venoso testicular. É fundamental que o cirurgião minimize a manipulação do cordão e evite a dissecção distal desnecessária do saco herniário para prevenir essa condição, que é uma das principais causas de litígio médico em cirurgia geral devido à potencial atrofia testicular subsequente.
A orquite isquêmica é causada principalmente pela trombose das veias do plexo pampiniforme, e não necessariamente por lesão da artéria testicular. Isso ocorre devido ao trauma cirúrgico e dissecção extensa do cordão espermático, especialmente em casos de hérnias volumosas ou recidivadas, onde a anatomia está distorcida e há mais tecido cicatricial. O congestionamento venoso leva ao edema e dor testicular, podendo evoluir para atrofia testicular em longo prazo.
Na orquite isquêmica, o quadro clínico é focado no testículo (dor e edema), geralmente surgindo entre o 2º e 5º dia pós-operatório, enquanto a incisão cirúrgica permanece com aspecto normal, sem secreção purulenta, calor ou eritema. Já na infecção da ferida operatória, os sinais flogísticos (dor, rubor, calor e edema) estão localizados na linha de sutura e no tecido subcutâneo adjacente à incisão, podendo ou não haver acometimento escrotal secundário.
O tratamento inicial é conservador, focado no manejo da dor e suporte escrotal. São utilizados analgésicos, anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) e suspensório escrotal para reduzir o desconforto. Embora o diagnóstico seja clínico, o Doppler de bolsa escrotal pode ser solicitado para avaliar o fluxo sanguíneo, embora nem sempre altere a conduta imediata. O paciente deve ser alertado sobre o risco de atrofia testicular tardia.
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