UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente masculino, 17 anos, relata dor testicular intensa à direita há 6 dias. Ao exame físico palpa-se testículo esquerdo sem particularidades e testículo direito aumentado de tamanho, doloroso à palpação e com alívio de dor à elevação escrotal. Sobre o caso, assinale a alternativa CORRETA:
Dor testicular + Sinal de Prehn positivo (alívio à elevação) → Orquiepididimite.
Diferenciar torção de orquiepididimite é vital: a torção tem início súbito e reflexo cremastérico ausente, enquanto a orquiepididimite tem início gradual e Prehn positivo.
O escroto agudo é uma emergência urológica que exige rápida distinção entre causas cirúrgicas (torção) e clínicas (orquiepididimite). A orquiepididimite caracteriza-se por inflamação do epidídimo e testículo, geralmente de origem infecciosa ascendente. Em pacientes com menos de 35 anos, a etiologia costuma ser DST, enquanto em crianças e idosos, relaciona-se a patógenos urinários. O diagnóstico baseia-se na história clínica de dor progressiva e sinais flogísticos locais. O sinal de Prehn positivo e a preservação do reflexo cremastérico orientam para o diagnóstico inflamatório. O tratamento é conservador com antibióticos, ao passo que a torção testicular exige detorção cirúrgica em até 6 horas para preservação da viabilidade gonadal.
O sinal de Prehn é considerado positivo quando a elevação manual do testículo afetado alivia a dor escrotal. Classicamente, ele sugere o diagnóstico de orquiepididimite, diferenciando-o da torção testicular, na qual a elevação do testículo geralmente não altera ou até agrava a dor. No entanto, sua sensibilidade e especificidade não são absolutas, e o diagnóstico clínico deve ser corroborado pela história (início gradual na inflamação vs. súbito na torção) e, se necessário, por exames de imagem como o Doppler escrotal.
Em pacientes jovens e sexualmente ativos, a orquiepididimite é frequentemente causada por patógenos sexualmente transmissíveis, como Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. O tratamento envolve antibioticoterapia empírica (geralmente Ceftriaxona IM dose única associada a Doxiciclina por 10-14 dias), além de medidas de suporte como repouso, suspensório escrotal e anti-inflamatórios. Em pacientes mais velhos ou com uropatias, deve-se cobrir coliformes como E. coli.
A torção testicular deve ser a principal suspeita em casos de dor escrotal de início súbito, lancinante, frequentemente associada a náuseas e vômitos, e que ocorre predominantemente em adolescentes (pico na puberdade). Ao exame físico, o testículo pode estar elevado e horizontalizado (sinal de Angel), e o reflexo cremastérico costuma estar ausente. Diferente da orquiepididimite, não há febre inicial ou sintomas urinários proeminentes.
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