Conduta no Câncer de Testículo: Orquiectomia Radical

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Homem de 26 anos procura atendimento médico relatando aumento indolor do volume escrotal à direita, notado há cerca de três meses. Ele refere uma sensação de peso local, mas nega febre, sintomas urinários ou trauma recente. Ao exame físico, observa-se que o testículo direito está aumentado, endurecido, com superfície irregular e indolor à palpação. O reflexo cremastérico está preservado, o sinal de Prehn é negativo e a manobra de transiluminação resultou negativa. O paciente realizou uma ultrassonografia de bolsa escrotal que revelou uma massa sólida intratesticular de 3,8 cm, hipoecoica e hipervascularizada ao Doppler, sem evidência de hidrocele associada. Os exames laboratoriais de marcadores tumorais colhidos previamente apresentam os seguintes resultados: Alfafetoproteína (AFP) de 145 ng/mL (valor de referência: até 10 ng/mL), Beta-HCG de 18 mUI/mL (valor de referência: até 5 mUI/mL) e Desidrogenase Láctica (DHL) de 280 U/L (valor de referência: até 250 U/L). Diante do quadro clínico e laboratorial apresentado, qual é a conduta definitiva mais adequada para este paciente?

Alternativas

  1. A) Orquiectomia simples por via escrotal para garantir margens cirúrgicas de pele.
  2. B) Orquiectomia radical por via inguinal com ligadura alta do cordão espermático.
  3. C) Biópsia incisional por via transcutânea guiada por ultrassonografia para confirmação histológica.
  4. D) Quimioterapia sistêmica imediata visando a redução da massa tumoral antes da cirurgia.

Pérola Clínica

Massa testicular sólida + AFP elevada → Tumor de células germinativas não seminomatoso → Orquiectomia Radical Inguinal.

Resumo-Chave

A presença de massa sólida intratesticular com marcadores elevados (especialmente AFP) confirma tumor de células germinativas. A via inguinal é obrigatória para evitar disseminação linfática escrotal.

Contexto Educacional

O câncer de testículo é a neoplasia sólida mais comum em homens jovens (15-35 anos). A apresentação clássica é uma massa endurecida e indolor. O diagnóstico inicial baseia-se no exame físico, ultrassonografia de bolsa escrotal e dosagem de marcadores tumorais (AFP, Beta-HCG e DHL). A orquiectomia radical inguinal não é apenas o tratamento inicial, mas também fornece o diagnóstico histopatológico definitivo e o estadiamento local (T). A ligadura alta do cordão espermático no anel inguinal interno é fundamental para prevenir a recidiva local e metástases linfonodais atípicas.

Perguntas Frequentes

Por que a via de acesso deve ser inguinal?

A via inguinal com ligadura alta do cordão espermático é o padrão ouro porque a drenagem linfática do testículo segue para os linfonodos retroperitoneais. Uma incisão escrotal ou biópsia transcutânea pode contaminar a drenagem linfática da pele escrotal (que vai para linfonodos inguinais), complicando o estadiamento e o prognóstico.

Qual a importância da Alfafetoproteína (AFP) no diagnóstico?

A AFP é um marcador crucial. Sua elevação em tumores testiculares exclui o diagnóstico de seminoma puro, classificando o tumor como não seminomatoso (como carcinoma embrionário ou tumor do saco vitelino). Isso influencia diretamente o planejamento terapêutico pós-cirúrgico.

O sinal de Prehn e a transiluminação ajudam no diagnóstico?

Sim, por exclusão. O sinal de Prehn negativo (dor que não melhora com a elevação do testículo) e a transiluminação negativa (indicando massa sólida, não líquida) sugerem neoplasia em vez de epididimite ou hidrocele, respectivamente.

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