SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2018
Médica de família e comunidade assume uma equipe com população cadastrada de 2.985 pessoas em uma Unidade Básica de Saúde. A territorialização realizada no ano anterior evidenciou população composta por 15% de idosos, 60% de pessoas entre 15-60 anos e 25% de pessoas entre 0-14 anos. Os atendimentos na unidade são organizados por turnos, estando reservados um para realização de atendimentos de hipertensos e diabéticos, um para puericultura, um para pré-natal, um para atendimentos em saúde mental, um para visitas domiciliares, um para reuniões de equipe, um para atividades de educação em saúde na área e três para atendimentos clínicos. Após um mês de trabalho, a médica notou que os usuários em atendimento relatavam frequentemente dificuldade de conseguir agendar consultas, apesar da distribuição de fichas, no turno da manhã, para atendimentos clínicos, três vezes por semana, realizados no turno da tarde. Também observou uma maior procura à unidade, sempre nos turnos da manhã. Qual deverá ser a conduta da equipe frente ao problema apresentado?
Agenda UBS → flexibilidade para atender demanda espontânea e necessidades populacionais, independente de ciclo de vida ou queixa.
A organização da agenda em uma Unidade Básica de Saúde deve ser flexível e centrada nas necessidades da população adscrita, priorizando o acesso e o acolhimento da demanda espontânea. A rigidez na distribuição de turnos e fichas pode gerar barreiras, sendo essencial readequar a agenda para atender a todos os usuários, em todos os turnos, independentemente da queixa ou ciclo de vida.
A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada preferencial do sistema de saúde e a ordenadora do cuidado. A organização da agenda em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) é um desafio constante e um ponto crítico para garantir o acesso e a longitudinalidade do cuidado. Uma agenda bem planejada deve refletir as necessidades de saúde da população adscrita, identificadas através da territorialização e do conhecimento do perfil epidemiológico. A rigidez na organização da agenda, com turnos fixos para grupos específicos ou distribuição de fichas em horários restritos, frequentemente gera barreiras de acesso. Isso impede que usuários com diferentes necessidades ou disponibilidades de horário busquem o serviço, resultando em dificuldade de agendamento, filas e, por vezes, a busca por serviços de urgência e emergência para problemas que poderiam ser resolvidos na APS. A conduta ideal da equipe de saúde da família e comunidade é readequar a agenda de forma flexível, garantindo que todos os turnos de atendimento possam acolher a demanda espontânea e as necessidades de saúde da população, independentemente do ciclo de vida, patologia ou queixa. Isso promove o acesso, a integralidade e a resolutividade, fortalecendo o vínculo e a confiança da comunidade na UBS.
O princípio fundamental é a centralidade no usuário e na população adscrita, garantindo acesso equitativo, acolhimento da demanda espontânea e resolutividade, sem criar barreiras por horários ou tipos de atendimento.
A territorialização fornece dados sobre o perfil demográfico e epidemiológico da população, permitindo que a equipe planeje a agenda de forma mais assertiva, alocando recursos e horários para as necessidades prevalentes, mas mantendo flexibilidade.
A demanda espontânea reflete as necessidades agudas e urgentes da população. Uma agenda que não a contempla adequadamente gera filas, insatisfação, sobrecarga em outros serviços e descredibiliza a Atenção Primária.
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