CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Assinale a alternativa correta quanto a orbitopatia distireoidiana:
Tabagismo = principal fator de risco modificável para piora da Orbitopatia de Graves.
O tabagismo aumenta drasticamente a gravidade da orbitopatia distireoidiana e reduz a resposta ao tratamento imunossupressor, sendo a cessação do hábito prioritária no manejo.
A orbitopatia distireoidiana é uma doença autoimune inflamatória que afeta os tecidos moles da órbita. A fisiopatologia envolve a ativação de fibroblastos orbitários por anticorpos anti-receptor de TSH (TRAb), levando à produção de glicosaminoglicanos (como o ácido hialurônico) e subsequente edema e fibrose dos músculos extraoculares e gordura orbitária. O espessamento muscular ocorre pelo depósito de substância fundamental no tecido conjuntivo endomisial, e não dentro da fibra muscular propriamente dita. O manejo clínico exige eutiroidismo, cessação do tabagismo e, em casos ativos, imunossupressão. A descompressão cirúrgica é reservada para casos de neuropatia óptica refratária ou reabilitação estética em fase estável.
O tabagismo é o fator de risco ambiental mais importante. Ele aumenta o risco de desenvolver a orbitopatia em pacientes com doença de Graves, eleva a gravidade das manifestações clínicas (como proptose e diplopia) e diminui a eficácia da radioterapia e da corticoterapia. O mecanismo envolve estresse oxidativo e estimulação de fibroblastos orbitários, que expressam receptores de TSH e IGF-1.
A pulsoterapia intravenosa com metilprednisolona é o tratamento de primeira linha para a orbitopatia de Graves moderada a grave em fase ativa. Ao contrário do que se pensa, ela é geralmente preferível aos corticoides orais por ter maior eficácia e menos efeitos colaterais sistêmicos a longo prazo, embora exija monitoramento de enzimas hepáticas e glicemia devido ao risco de hepatotoxicidade aguda em doses cumulativas altas.
Embora a ultrassonografia possa mostrar o espessamento dos músculos extraoculares, a Tomografia Computadorizada (TC) ou a Ressonância Magnética (RM) de órbita são superiores para avaliar a compressão do nervo óptico no ápice orbitário. Clinicamente, a avaliação da acuidade visual, reflexo pupilar, visão de cores e campo visual são fundamentais para o diagnóstico de neuropatia óptica compressiva.
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