CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Paciente masculino de 60 anos tem diagnóstico de orbitopatia distireoideana e indicação cirúrgica de descompressão orbitária. Apresenta também diplopia devido à hipotropia direita secundária à doença. Qual a conduta mais adequada para o manejo do estrabismo?
Sequência na Orbitopatia: 1º Descompressão → 2º Estrabismo → 3º Pálpebra.
A cirurgia de estrabismo deve ser realizada após a descompressão orbitária, pois a mudança no volume da órbita altera o equilíbrio muscular.
O manejo da orbitopatia distireoideana exige uma abordagem multidisciplinar e estagiada. Na fase ativa (inflamatória), o foco é o controle metabólico e imunossupressão. Na fase sequelar (fibrótica), a reabilitação cirúrgica entra em cena. A hipotropia por restrição do reto inferior é um desafio comum. A decisão de operar o estrabismo apenas após a descompressão fundamenta-se na previsibilidade: a descompressão das paredes orbitárias (especialmente a medial e a inferior) muda o vetor de força dos músculos, tornando qualquer correção prévia ineficaz ou contraproducente.
A descompressão orbitária visa aumentar o espaço disponível para o conteúdo orbitário, reduzindo a proptose e a congestão. Esse procedimento altera significativamente a anatomia e a dinâmica dos músculos extraoculares. Frequentemente, a descompressão pode induzir um novo estrabismo ou alterar um desvio preexistente. Portanto, realizar a cirurgia de estrabismo antes ou durante a descompressão resultaria em um posicionamento ocular instável. A recomendação é aguardar a estabilização do desvio (geralmente 3 a 6 meses) após a descompressão para planejar a correção muscular.
O estrabismo na orbitopatia distireoideana é tipicamente restritivo, causado pela infiltração inflamatória, edema e posterior fibrose dos músculos extraoculares. O músculo mais frequentemente acometido é o reto inferior, seguido pelo reto medial. O acometimento do reto inferior causa uma hipotropia (o olho fica 'preso' para baixo) e limitação da elevação. Por ser um processo restritivo, o tratamento cirúrgico baseia-se quase exclusivamente em recuos musculares (enfraquecimento), e nunca em ressecções, que piorariam a restrição.
A reabilitação cirúrgica da orbitopatia distireoideana segue uma hierarquia rígida para garantir resultados funcionais e estéticos estáveis: 1) Descompressão orbitária (se indicada por neuropatia óptica ou proptose severa); 2) Cirurgia de estrabismo (para tratar diplopia em posição primária ou de leitura); 3) Cirurgia palpebral (para corrigir retração palpebral ou blefaroplastia). Cada etapa pode influenciar a seguinte; por exemplo, a cirurgia de estrabismo pode alterar a posição palpebral, por isso as pálpebras são sempre o último passo.
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