CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Pode ser considerado um tratamento cirúrgico para retração palpebral leve associada a orbitopatia de Graves:
Retração leve em Graves → Conjuntivomullerotomia (recessão do músculo de Müller).
A retração palpebral na orbitopatia de Graves pode ser tratada cirurgicamente através do enfraquecimento do músculo de Müller ou do levantador, dependendo da gravidade.
A retração palpebral é o sinal clínico mais comum da orbitopatia de Graves, ocorrendo em até 90% dos pacientes. Resulta de uma combinação de hiperestimulação simpática do músculo de Müller, fibrose do músculo levantador e proptose subjacente. O manejo cirúrgico segue uma hierarquia: primeiro a descompressão orbitária (se necessária), depois a cirurgia de estrabismo e, por fim, a correção da retração palpebral. Para retrações leves (até 2mm), a via conjuntival com abordagem ao músculo de Müller é eficaz. Para retrações moderadas a graves, pode ser necessária a recessão do tendão do músculo levantador por via anterior, às vezes com o uso de espaçadores (como esclera doada ou materiais sintéticos) para garantir o posicionamento adequado da margem palpebral.
A conjuntivomullerotomia é um procedimento cirúrgico realizado por via posterior (conjuntival) que visa enfraquecer ou desinserir o músculo de Müller. Este músculo, de controle simpático, está frequentemente hiperestimulado ou fibrótico na orbitopatia de Graves, causando a retração da pálpebra superior. Ao realizar sua recessão ou excisão parcial, consegue-se um abaixamento palpebral de 1 a 2 mm, ideal para casos leves.
A cirurgia para retração palpebral é indicada quando há exposição corneana significativa (ceratite de exposição), desconforto ocular crônico ou por razões estéticas importantes. É fundamental que a doença tireoidiana esteja estável e a orbitopatia esteja na fase inativa (fibrótica) por pelo menos 6 a 12 meses antes de qualquer intervenção cirúrgica definitiva.
A ressecção do músculo levantador da pálpebra superior é o tratamento padrão para a ptose palpebral (pálpebra caída), pois visa fortalecer a ação do músculo. Na orbitopatia de Graves, o problema é o oposto: a pálpebra está excessivamente alta. Portanto, realizar uma ressecção agravaria drasticamente a retração e a exposição ocular.
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