CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Mulher de 38 anos de idade, em uso de levotiroxina por via oral e com antecedente de iodoterapia radioativa tireoidiana, apresenta-se com quadro unilateral de edema periocular, retração da pálpebra superior e leve proptose. Assinale a alternativa correta:
Orbitopatia de Graves = Causa #1 de proptose (uni ou bilateral) no adulto. Imagem é essencial.
A orbitopatia de Graves pode ocorrer mesmo em pacientes eutireoidianos ou hipotireoidianos. O diagnóstico baseia-se na clínica e em exames de imagem (TC/RM) que mostram o padrão clássico de espessamento muscular.
A orbitopatia de Graves é uma doença autoimune caracterizada pela inflamação e expansão dos tecidos moles orbitários (músculos e gordura) devido à ativação de receptores de TSH nos fibroblastos orbitários. O quadro clínico clássico envolve retração palpebral, proptose, edema periorbitário e diplopia por restrição da motilidade ocular. O diagnóstico é eminentemente clínico quando os sinais típicos estão presentes, mas a imagem por TC ou RM torna-se indispensável em apresentações atípicas (como a unilateral), para planejar intervenções cirúrgicas ou para monitorar a compressão do nervo óptico. O tratamento varia desde medidas de suporte e cessação do tabagismo na fase leve, até corticoterapia venosa, radioterapia orbitária ou descompressão cirúrgica nas fases moderadas a graves e ativas da doença.
Sim. Embora a orbitopatia de Graves seja classicamente uma doença bilateral e frequentemente assimétrica, ela é a causa mais comum de proptose unilateral em adultos. A apresentação unilateral não exclui o diagnóstico, mas exige uma investigação cuidadosa para descartar outros processos expansivos orbitários, como tumores ou pseudotumor inflamatório. A presença de retração palpebral superior (sinal de Dalrymple) é um marcador clínico altamente sugestivo de etiologia tireoidiana, mesmo na ausência de exoftalmia bilateral.
Os exames de imagem (TC ou RM) são fundamentais para confirmar o diagnóstico e avaliar a gravidade. O achado patognomônico é o espessamento dos ventres dos músculos extraoculares com preservação dos seus tendões (aspecto em 'charuto'). A ordem de acometimento mais comum segue o mnemônico 'I'M SLOW': Reto Inferior, Reto Medial, Reto Superior, Elevador da Pálpebra e Reto Lateral. Além disso, pode-se observar aumento da gordura orbitária e, em casos graves, compressão do nervo óptico no ápice da órbita.
Não existe uma correlação direta e linear entre os níveis de hormônios tireoidianos e a gravidade da orbitopatia. A doença ocular pode se manifestar em pacientes com hipertireoidismo (80%), eutireoidismo (10%) ou hipotireoidismo (10%), como no caso de pacientes pós-iodoterapia ou com tireoidite de Hashimoto. No entanto, o tabagismo e o controle inadequado da função tireoidiana (tanto hiper quanto hipo) são fatores de risco conhecidos para a progressão e piora da inflamação orbitária.
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