CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Com relação à orbitopatia de Graves é correto afirmar que:
Tabagismo = ↑ incidência, ↑ gravidade e ↓ resposta ao tratamento na Orbitopatia de Graves.
O tabagismo é o principal fator de risco modificável na orbitopatia de Graves, exacerbando a inflamação e a progressão da doença ocular.
A orbitopatia de Graves é uma doença autoimune caracterizada pela inflamação e expansão dos tecidos orbitários (músculos e gordura). A fisiopatologia envolve a ativação de fibroblastos orbitários por anticorpos contra o receptor de TSH (TRAb), levando à produção de glicosaminoglicanos e adipogênese. Clinicamente, manifesta-se por retração palpebral (sinal de Dalrymple), proptose, diplopia e, em casos graves, neuropatia óptica compressiva. O manejo exige estabilização da função tireoidiana, cessação absoluta do tabagismo e, dependendo da atividade da doença (avaliada pelo CAS - Clinical Activity Score), imunossupressão ou cirurgia descompressiva.
O tabagismo aumenta em até 7-8 vezes o risco de desenvolver orbitopatia em pacientes com doença de Graves. Além disso, fumantes apresentam formas mais graves da doença, maior risco de progressão após tratamento com iodo radioativo e pior resposta à corticoterapia e radioterapia orbitária. O mecanismo envolve hipóxia tecidual e estimulação direta de fibroblastos orbitários.
O acometimento segue a regra mnemônica 'IM SL': Reto Inferior (mais comum), seguido pelo Reto Medial, Reto Superior e, por último, o Reto Lateral. O espessamento ocorre tipicamente no ventre muscular, preservando as inserções tendíneas, o que ajuda na diferenciação radiológica de outras miosites orbitárias.
Não. Embora 90% dos casos ocorram em pacientes com hipertireoidismo (Doença de Graves), a orbitopatia pode ocorrer em pacientes eutireoidianos ou até mesmo em pacientes com hipotireoidismo (Tireoidite de Hashimoto). A gravidade da orbitopatia nem sempre se correlaciona com os níveis séricos de hormônios tireoidianos.
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