CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016
Paciente de 55 anos, com quadro de hipotropia do olho direito há 7 meses. Tem hipertensão arterial e hipotireoidismo, em tratamento há 7 meses. Versões verticais e exames de imagem abaixo são compatíveis com:
Espessamento muscular poupando tendão + Hipotropia (RI acometido) = Orbitopatia de Graves.
A Orbitopatia de Graves é a causa mais comum de proptose e estrabismo restritivo em adultos, tipicamente afetando o músculo reto inferior e causando hipotropia.
A Orbitopatia de Graves (OG) é uma doença autoimune caracterizada pela inflamação dos tecidos moles orbitários e remodelamento tecidual. A fisiopatologia envolve a ativação de fibroblastos orbitários por anticorpos contra o receptor de TSH (TRAb). O aumento do volume orbital decorre do acúmulo de glicosaminoglicanos e adipogênese. O diagnóstico é clínico-radiológico, e o manejo varia desde medidas de suporte e controle da função tireoidiana até imunossupressão ou cirurgia descompressiva em casos graves com neuropatia óptica compressiva.
O acometimento segue frequentemente a mnemônica IMSL: Reto Inferior (mais comum), Reto Medial, Reto Superior e Reto Lateral. Uma característica radiológica fundamental é o espessamento do ventre muscular com preservação das inserções tendíneas, o que ajuda a diferenciar da miosite orbitária, onde o tendão também é afetado.
A hipotropia ocorre devido ao processo inflamatório e subsequente fibrose do músculo reto inferior. Como o músculo torna-se rígido e encurtado (estrabismo restritivo), ele 'puxa' o globo ocular para baixo e impede a elevação normal, resultando em hipotropia do olho afetado e diplopia vertical.
O tabagismo é o fator de risco modificável mais importante. Ele aumenta significativamente o risco de desenvolver a orbitopatia, agrava a gravidade do quadro clínico e reduz a eficácia dos tratamentos (como corticoterapia e radioterapia). Pacientes com diagnóstico de Graves devem ser fortemente aconselhados a cessar o tabagismo.
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