CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2023
Na orbitopatia distireoidiana, quando há indicação dos três tratamentos abaixo, qual é a melhor sequência a ser seguida, geralmente?
Sequência na Orbitopatia: 1º Descompressão → 2º Estrabismo → 3º Pálpebra.
A cirurgia de descompressão altera o volume orbitário e a posição muscular, impactando o alinhamento ocular e a posição palpebral; por isso, deve preceder as demais.
A orbitopatia distireoidiana (ou de Graves) exige uma abordagem multidisciplinar e estagiada. A fase ativa (inflamatória) é tratada com corticoterapia ou radioterapia, enquanto a fase cicatricial/estável é o momento da reabilitação cirúrgica. A sequência 'Descompressão -> Estrabismo -> Pálpebra' é um dogma na cirurgia plástica ocular e estrabismo. O desvio dessa ordem geralmente leva a resultados imprevisíveis e múltiplas revisões cirúrgicas, sendo um tema clássico em provas de residência médica e concursos de oftalmologia e endocrinologia.
A descompressão orbitária visa aumentar o espaço disponível para os tecidos moles inflamados ou reduzir a proptose. Ao remover paredes ósseas ou gordura orbitária, há uma mudança significativa na anatomia da órbita, o que frequentemente altera a posição dos músculos extraoculares e a tensão sobre as pálpebras. Se o estrabismo fosse corrigido antes, a descompressão provavelmente alteraria o alinhamento alcançado, exigindo uma reoperação. Portanto, a estabilização do volume orbitário é o primeiro passo lógico.
Após a descompressão (ou se ela não for necessária), a cirurgia de estrabismo é realizada para tratar a diplopia e o desalinhamento ocular causados pela fibrose e espessamento dos músculos extraoculares (comumente o reto inferior e o reto medial). Esta etapa deve preceder a cirurgia palpebral porque o reposicionamento dos músculos retos pode influenciar a posição das pálpebras (especialmente a pálpebra inferior após retrocesso do reto inferior), alterando o grau de retração palpebral a ser corrigido.
A cirurgia palpebral é o passo final da reabilitação funcional e estética. Ela trata a retração palpebral (sinal de Dalrymple) e o excesso de gordura/pele (blefaroplastia). Como a posição das pálpebras depende da proptose (resolvida na descompressão) e da posição do globo ocular (resolvida na cirurgia de estrabismo), deixá-la por último garante que o cirurgião trabalhe sobre uma base estável, permitindo ajustes finos para simetria e proteção corneana.
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