CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2010
Ao preencher a câmara anterior com uma bolha de ar, causa-se:
Ar na CA → ↓ poder da córnea (face posterior) e ↑ poder do cristalino (face anterior).
A substituição do aquoso (n=1.33) por ar (n=1) altera o gradiente de refração nas interfaces, reduzindo a convergência corneana e aumentando a do cristalino.
A óptica ocular baseia-se na Lei de Snell, onde o desvio da luz ocorre na interface entre meios com diferentes índices de refração. O humor aquoso possui índice de aproximadamente 1.336. Ao introduzir ar (n=1.0), a interface posterior da córnea (estroma para ar) passa a ter um salto de índice maior, mas como a curvatura é côncava em relação ao raio incidente, isso gera perda de poder convergente. Já a face anterior do cristalino (ar para lente) ganha poder, pois a luz passa de um meio muito menos denso para um meio mais denso, aumentando a refração convergente.
O poder total da córnea depende da diferença de índice de refração entre o ar/estroma e o estroma/humor aquoso. Ao trocar o aquoso (n=1.33) por ar (n=1) na face posterior, a divergência nessa interface aumenta, reduzindo o poder convergente total do sistema corneano.
O cristalino tem um índice de refração maior que o humor aquoso. Quando cercado por ar (índice menor que o aquoso), a diferença de índices na interface anterior aumenta drasticamente, o que eleva significativamente o seu poder de convergência.
Essas mudanças explicam a dificuldade de visualização e as alterações de foco durante procedimentos cirúrgicos que utilizam ar ou gás na câmara anterior, sendo essencial para o cirurgião ajustar sua percepção de profundidade e foco.
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