CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019
Em relação aos bifocais, assinale a alternativa correta:
Astigmatismo eixo 180° + cilíndrica negativa → película de base prismática superior.
A escolha da base prismática em lentes bifocais visa compensar o efeito prismático induzido pela lente de longe na zona de leitura, minimizando o deslocamento da imagem.
O estudo da óptica oftálmica aplicada às lentes bifocais é fundamental para a prescrição de auxílios ópticos confortáveis. O efeito prismático é regido pela Lei de Prentice (P = c x F), onde o deslocamento do olhar em relação ao centro óptico gera um prisma proporcional à dioptria da lente. Em bifocais, o paciente experimenta dois efeitos prismáticos distintos: o da lente de longe e o do segmento de perto. A gestão desses prismas é crucial para evitar a diplopia induzida ou o desconforto astenópico durante a leitura. No caso do astigmatismo com eixo a 180°, a variação de poder no meridiano vertical exige compensações específicas na película para garantir que o campo visual de perto seja estável e alinhado com a demanda convergente do paciente.
O 'image jump' ou salto de imagem ocorre quando o eixo visual cruza a borda superior do segmento de perto (película). Como o centro óptico do segmento não coincide com sua borda superior, cria-se um efeito prismático súbito que faz a imagem parecer 'saltar'. A escolha correta do tipo de segmento e da base prismática ajuda a neutralizar esse desconforto visual, especialmente em pacientes com ametropias elevadas ou astigmatismos específicos onde o poder dióptrico no meridiano vertical é significativo.
O eixo do astigmatismo determina em qual meridiano a lente possui maior poder dióptrico. No astigmatismo simples corrigido com cilindro negativo a 180°, o poder da lente está concentrado no meridiano vertical (90°). Isso gera um efeito prismático quando o paciente olha para baixo para ler. Para compensar esse efeito e manter o conforto visual na transição para a película de perto, indica-se uma base prismática superior, equilibrando as forças ópticas envolvidas.
Em pacientes hipermétropes, a indicação da base prismática na película depende da relação entre a magnitude da hipermetropia (ametropia) e a adição necessária para perto. Se a ametropia for menor que a adição, a dinâmica prismática favorece o uso de base inferior para estabilizar a imagem. O objetivo é sempre aproximar os centros ópticos ou neutralizar o prisma induzido pela lente de visão à distância no ponto de leitura.
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