UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2020
Homem de 80 anos foi submetido à cirurgia de urgência para fixação de fratura de fêmur sob anestesia geral venosa total. AP: insuficiência renal não dialítica (TFG 20 mL/min) e HAS não controlada. Ao despertar na sala de recuperação anestésica, apresentou quadro de intensa dor (escore 10, em escala de 0 a 10) no sítio cirúrgico. Assinale a alternativa correta.
Nefropata com dor intensa → Fentanil ou Metadona são opioides preferenciais devido à menor dependência de excreção renal.
Em pacientes com insuficiência renal, a escolha de opioides é crucial devido ao acúmulo de metabólitos ativos. Morfina e meperidina devem ser evitados, enquanto fentanil, metadona e hidromorfona são mais seguros por terem metabólitos inativos ou vias de excreção alternativas.
O manejo da dor pós-operatória em pacientes idosos com comorbidades, como insuficiência renal, exige atenção especial. A escolha do analgésico opioide deve considerar a farmacocinética e o metabolismo do fármaco para evitar toxicidade e garantir analgesia eficaz. A morfina, embora seja um opioide potente, possui metabólitos ativos (morfina-3-glicuronídeo e morfina-6-glicuronídeo) que são excretados predominantemente pelos rins. Em pacientes com TFG reduzida, esses metabólitos se acumulam, levando a maior risco de sedação, depressão respiratória e neurotoxicidade. Fentanil e metadona são opções preferenciais em nefropatas. O fentanil tem metabolismo hepático e metabólitos inativos. A metadona tem metabolismo hepático e excreção biliar, com menor dependência da função renal. Hidromorfona também é uma alternativa, com metabólitos menos ativos que os da morfina.
A morfina é metabolizada em metabólitos ativos (M3G e M6G) que são excretados principalmente pelos rins. Em nefropatas, esses metabólitos se acumulam, aumentando o risco de sedação prolongada, depressão respiratória e neurotoxicidade.
Fentanil, metadona e hidromorfona são geralmente considerados mais seguros, pois seus metabólitos são inativos ou possuem vias de excreção alternativas (hepática), minimizando o risco de acúmulo e toxicidade renal.
A função renal impacta a farmacocinética de muitos medicamentos, incluindo opioides. Uma TFG reduzida exige ajuste de dose ou escolha de fármacos com menor dependência de excreção renal para evitar toxicidade.
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