Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2025
Paciente de 76 anos chega a sua UBS refere que após ter feito corte das unhas do pé sozinho começou apresentar dor e desconforto na unha. Ao exame físico. Pele avermelhada e inchaço ao redor da unha com secreção de pus. Em relação ao diagnóstico anterior a conduta deveria ser:
Onicocriptose com abscesso → Drenagem + Cantoplastia (correção definitiva).
A conduta definitiva para onicocriptose recorrente ou complicada por infecção é a cantoplastia, visando remover a espícula e tratar a matriz ungueal lateral.
A onicocriptose ocorre quando a borda lateral da lâmina ungueal penetra no tecido mole adjacente, causando inflamação, dor e, frequentemente, infecção secundária (paroníquia). Em idosos, fatores como dificuldade de autocuidado, distrofias ungueais e alterações na marcha aumentam a incidência. O tratamento varia desde medidas conservadoras em estágios iniciais até intervenções cirúrgicas definitivas. A cantoplastia é o procedimento de escolha para casos complicados, consistindo na ressecção da borda lateral da unha e da matriz correspondente (matricectomia). Isso impede que a unha volte a crescer naquela direção, reduzindo drasticamente as taxas de recidiva. O reconhecimento precoce de sinais de infecção, como secreção purulenta e edema, é crucial para evitar complicações sistêmicas, especialmente em populações vulneráveis com insuficiência vascular.
A cantoplastia está indicada em casos de onicocriptose recorrente, estágios avançados com tecido de granulação exuberante (granuloma piogênico) ou quando há falha no tratamento conservador. Em quadros agudos com abscesso, a drenagem associada à remoção da espícula ungueal é fundamental para o alívio imediato da dor e resolução da infecção, sendo a técnica cirúrgica a única forma de prevenir recidivas ao tratar a matriz ungueal lateral.
A antibioticoterapia, como o uso de Cefalexina, é um adjuvante em casos de celulite circundante extensa ou em pacientes com comorbidades graves, como diabetes mellitus descompensado. No entanto, o tratamento padrão-ouro para o abscesso localizado é a drenagem cirúrgica. O uso isolado de antibióticos sem a remoção do fator mecânico (a unha encravada) geralmente resulta em falha terapêutica e recorrência precoce do quadro.
Após a cantoplastia, recomenda-se repouso com o membro elevado nas primeiras 24-48 horas para reduzir o edema, uso de calçados abertos e curativos diários com antissépticos. A limpeza deve ser cuidadosa para evitar a formação de crostas que dificultem a cicatrização por segunda intenção. O acompanhamento médico é necessário para monitorar sinais de infecção secundária e garantir que a reepitelização do leito ungueal ocorra sem intercorrências.
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