CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2023
Gestante 26 semanas, trouxe à consulta de pré-natal exame de ultrassonografia que evidenciou oligodrâmnia acentuada. Qual das alternativas podem representar esse achado?
Oligodrâmnia acentuada na gestação → Investigar malformações renais fetais, especialmente Síndrome de Potter (agenesia renal bilateral).
A oligodrâmnia, especialmente quando acentuada, é um achado ultrassonográfico importante que pode indicar problemas na produção de urina fetal, principal componente do líquido amniótico após o primeiro trimestre. A Síndrome de Potter, caracterizada por agenesia renal bilateral, é uma causa grave de oligodrâmnia e está associada a hipoplasia pulmonar e outras deformidades.
A oligodrâmnia é definida como um volume de líquido amniótico abaixo do normal para a idade gestacional, geralmente diagnosticada por ultrassonografia com um Índice de Líquido Amniótico (ILA) < 5 cm ou maior bolsa < 2 cm. É uma complicação que afeta aproximadamente 1-5% das gestações e pode ter diversas etiologias, sendo crucial para o prognóstico fetal a identificação da causa subjacente. No segundo e terceiro trimestres, a principal fonte de líquido amniótico é a urina fetal. Portanto, qualquer condição que comprometa a produção ou excreção de urina pelo feto pode levar à oligodrâmnia. A Síndrome de Potter, que se refere à agenesia renal bilateral ou disgenesia renal grave, é uma causa primária e letal de oligodrâmnia acentuada. A ausência de rins funcionantes impede a produção de urina, resultando em um volume de líquido amniótico insuficiente para o desenvolvimento pulmonar, levando à hipoplasia pulmonar, que é a principal causa de morte neonatal nesses casos. O diagnóstico da oligodrâmnia e a investigação de sua causa são feitos por ultrassonografia detalhada, que pode identificar malformações renais. A conduta dependerá da etiologia e da idade gestacional. No caso da Síndrome de Potter, o prognóstico é sombrio devido à hipoplasia pulmonar. O manejo visa o aconselhamento parental e o suporte à gestação, com foco na detecção precoce de outras anomalias e na preparação para o parto.
O líquido amniótico protege o feto contra traumas, permite o desenvolvimento pulmonar adequado e facilita o movimento fetal. A oligodrâmnia (redução do volume) pode levar à hipoplasia pulmonar, deformidades musculoesqueléticas e compressão do cordão umbilical, comprometendo o desenvolvimento e a vitalidade fetal.
As principais causas incluem ruptura prematura de membranas ovulares (RPMO), insuficiência placentária (restrição de crescimento intrauterino), malformações do trato urinário fetal (como agenesia renal bilateral, obstrução uretral) e uso de certos medicamentos (inibidores da ECA, AINEs).
A Síndrome de Potter é caracterizada por agenesia renal bilateral (ausência de ambos os rins) ou disgenesia renal grave, levando à anúria fetal. Como a urina fetal é o principal componente do líquido amniótico após 16-20 semanas, a ausência de produção urinária resulta em oligodrâmnia severa, que por sua vez causa hipoplasia pulmonar e fácies de Potter.
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