Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2020
As alterações do volume do líquido amniótico têm importância grande por estarem associadas, em muitos casos, com doenças, intercorrências ou por poderem determinar riscos perinatais. Em relação a essas alterações, assinale a alternativa correta.
Oligoâmnio precoce = alto risco de perda gestacional e morbidade fetal grave.
O oligoâmnio precoce, especialmente no segundo trimestre, está frequentemente associado a anomalias fetais graves (renais, cromossômicas) ou insuficiência placentária severa, resultando em um prognóstico fetal muito reservado e alta taxa de perda gestacional ou morbidade neonatal.
As alterações do volume do líquido amniótico, tanto o polidrâmnio (excesso) quanto o oligoâmnio (redução), são condições que demandam atenção na prática obstétrica devido à sua associação com diversas patologias maternas e fetais, e ao risco aumentado de morbidade e mortalidade perinatal. O líquido amniótico desempenha funções cruciais no desenvolvimento fetal, incluindo proteção contra traumas, desenvolvimento pulmonar e renal, e regulação da temperatura. O oligoâmnio é definido por um índice de líquido amniótico (ILA) abaixo de 5 cm ou maior bolsa única abaixo de 2 cm. Quando ocorre precocemente na gestação, especialmente no segundo trimestre, é frequentemente um marcador de anomalias fetais graves, como agenesia renal bilateral (Síndrome de Potter) ou obstrução urinária, que comprometem a produção de urina fetal, principal componente do líquido amniótico após 20 semanas. Também pode indicar insuficiência placentária severa ou cromossomopatias. O prognóstico do oligoâmnio precoce é geralmente reservado, com alta probabilidade de perda gestacional ou morbidade neonatal grave, incluindo hipoplasia pulmonar e deformidades esqueléticas. O manejo depende da causa e da idade gestacional, podendo incluir monitorização fetal intensiva, amnioinfusão em casos selecionados (como rotura prematura de membranas) ou interrupção da gestação em situações de risco iminente. O polidrâmnio, por sua vez, pode estar associado a diabetes gestacional, anomalias gastrointestinais ou neurológicas fetais, e síndrome de transfusão feto-fetal em gestações gemelares.
As causas de oligoâmnio incluem rotura prematura de membranas, insuficiência placentária, anomalias renais fetais (agenesia renal, obstrução do trato urinário), restrição de crescimento intrauterino e uso de certos medicamentos maternos, como AINEs.
O polidrâmnio agudo é uma condição rara que se desenvolve rapidamente, geralmente no segundo trimestre da gestação, e está associado a anomalias fetais (atresia esofágica, anencefalia), infecções congênitas e gestações múltiplas, especialmente na síndrome de transfusão feto-fetal.
A amnioinfusão é uma medida útil em casos de oligoâmnio decorrente de rotura prematura de membranas pré-termo para reduzir a compressão do cordão umbilical e melhorar o perfil biofísico. No entanto, não é indicada para oligoâmnio precoce devido a anomalias fetais ou insuficiência placentária grave, onde o prognóstico é intrinsecamente ruim.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo