Oligoâmnio na Gestação a Termo: Qual a Melhor Conduta?

Hospital Unimed-Rio (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Paciente gestante de 20 anos, atualmente com 37 semanas e 3 dias, vem acompanhada da mãe ao pronto-socorro referindo dor em baixo ventre. Pré-natal de risco habitual, 7 consultas. Nega riscos, alergias, cirurgias ou comorbidades. Ao exame físico, identificada pressão arterial de 140x90, reaferida 100x60 no decúbito lateral esquerdo. Rotina laboratorial de pré-eclâmpsia e cardiotocografia normais. Aguarda resultado de proteinúria de 24h. Optado pela solicitação de ultrassom obstétrico com doppler, o qual identificou feto único, vivo, longitudinal, cefálico, placenta posterior grau II, peso fetal estimado em 3200g (entre p10 e p90 de Hadlock), índice de líquido amniótico 60mm (oligoâmnio), doppler normal. A respeito do caso, assinale a alternativa correta com a melhor conduta para o caso:

Alternativas

  1. A) Considerando-se que a pressão arterial normalizou, alta hospitalar com seguimento no pré-natal de alto risco.
  2. B) Internação para indução do trabalho de parto, devido ao oligoâmnio.
  3. C) Cesárea de urgência, devido à pré-eclâmpsia com oligoâmnio.
  4. D) Não é possível se estabelecer uma conduta sem o resultado da proteinúria de 24h.

Pérola Clínica

Oligoâmnio em gestação a termo (>37 semanas) com bem-estar fetal normal → Indução do trabalho de parto.

Resumo-Chave

Em gestantes a termo (≥ 37 semanas) com oligoâmnio isolado e demais parâmetros de bem-estar fetal normais (cardiotocografia, doppler), a conduta mais apropriada é a indução do trabalho de parto, visando evitar complicações associadas à diminuição do líquido amniótico.

Contexto Educacional

O oligoâmnio, caracterizado pela diminuição do volume de líquido amniótico, é uma condição que requer atenção especial na gestação, especialmente quando ocorre a termo (≥ 37 semanas). O líquido amniótico desempenha funções cruciais no desenvolvimento fetal e na proteção contra compressão do cordão umbilical. A identificação de um Índice de Líquido Amniótico (ILA) baixo, como 60mm no caso, mesmo que limítrofe por algumas definições mais estritas (ILA < 5cm), é um sinal de alerta que demanda avaliação e conduta. No cenário de uma gestante a termo com oligoâmnio isolado, ou seja, sem outros sinais de comprometimento fetal (como cardiotocografia e doppler normais), a conduta mais recomendada é a indução do trabalho de parto. A manutenção da gestação com oligoâmnio a termo aumenta o risco de complicações como compressão do cordão e sofrimento fetal durante o trabalho de parto. A avaliação da pressão arterial que normalizou em decúbito lateral esquerdo e a rotina de pré-eclâmpsia normal afastam o diagnóstico de pré-eclâmpsia neste momento. A cesariana de urgência seria indicada apenas na presença de sofrimento fetal agudo ou outras indicações obstétricas. A espera pelo resultado da proteinúria de 24h, embora importante para o diagnóstico definitivo de pré-eclâmpsia, não deve atrasar a conduta para o oligoâmnio a termo, que por si só já é uma indicação para a resolução da gestação. A indução permite um parto vaginal, se não houver contraindicações, com monitoramento rigoroso do bem-estar fetal.

Perguntas Frequentes

O que é considerado oligoâmnio na gestação a termo?

Oligoâmnio é geralmente definido por um Índice de Líquido Amniótico (ILA) ≤ 5 cm ou pela maior bolsa vertical ≤ 2 cm. Um ILA de 60mm (6cm) é considerado limítrofe ou baixo em alguns protocolos, e a conduta é guiada pela idade gestacional e bem-estar fetal.

Quando a indução do trabalho de parto é indicada no oligoâmnio?

A indução do trabalho de parto é indicada em gestações a termo (≥ 37 semanas) com oligoâmnio isolado, na ausência de sofrimento fetal ou outras contraindicações para o parto vaginal, visando reduzir riscos como compressão do cordão umbilical.

Quais são os riscos do oligoâmnio para o feto?

Os riscos incluem compressão do cordão umbilical, hipoplasia pulmonar (em casos precoces e graves), deformidades fetais e maior risco de sofrimento fetal durante o trabalho de parto, justificando a intervenção em gestações a termo.

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