Oligo-hidrâmnio Pós-Termo: Conduta e Maturação Cervical

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Gestante de 17 anos de idade, com 40 semanas e 3 dias de gestação comparece assintomática para controle de vitalidade. Ao exame clínico: PA 110x75 mmHg, FC 78 bpm, altura uterina 36 cm, toque com colo amolecido, grosso, posterior, pérvio para 2 cm, apresentação cefálica no plano -2 de DeLee. Na avaliação ultrassonográfica, feto com tônus preservado, índice de líquido amniótico de 4.6 cm, movimentos fetais e respiratórios presentes. Cardiotocografia apresentada.Qual é a conduta obstétrica?

Alternativas

  1. A) Indução do parto com ocitocina.
  2. B) Reavaliação de vitalidade fetal em 48 horas.
  3. C) Parto cesáreo segmentar transversa.
  4. D) Maturação do colo uterino com prostaglandina.

Pérola Clínica

Gravidez pós-termo + oligo-hidrâmnio + colo desfavorável → maturação cervical com prostaglandina antes da indução.

Resumo-Chave

Em gestantes pós-termo com oligo-hidrâmnio (ILA < 5 cm), a indução do parto é indicada. No entanto, se o colo uterino for desfavorável (Bishop score baixo), a maturação cervical com prostaglandinas é o passo inicial para aumentar a chance de sucesso da indução e reduzir a necessidade de cesariana.

Contexto Educacional

A gravidez pós-termo, definida como gestação que ultrapassa 42 semanas completas, ou 40 semanas e 3 dias como no caso, é uma condição que exige monitoramento rigoroso da vitalidade fetal devido ao risco aumentado de complicações, como insuficiência placentária e oligo-hidrâmnio. O oligo-hidrâmnio, por sua vez, é um marcador de risco para compressão do cordão umbilical e sofrimento fetal, justificando a intervenção obstétrica. A decisão de induzir o parto é baseada na idade gestacional e nos achados da avaliação de vitalidade fetal. Antes de iniciar a indução do parto, é crucial avaliar a condição do colo uterino utilizando o Bishop score. Um Bishop score baixo (colo desfavorável) indica que o colo não está 'maduro' para o trabalho de parto, e a indução direta com ocitocina teria baixa taxa de sucesso. Nesses casos, a maturação cervical, geralmente com prostaglandinas (como o misoprostol), é o passo inicial para amolecer e dilatar o colo, aumentando a probabilidade de um parto vaginal bem-sucedido. Após a maturação cervical, se o colo se tornar favorável, a indução pode prosseguir com ocitocina. A escolha da conduta correta, priorizando a maturação cervical em colos desfavoráveis, é fundamental para otimizar os resultados maternos e fetais, reduzindo a taxa de cesarianas e complicações associadas à indução prolongada.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnóstico de oligo-hidrâmnio?

O oligo-hidrâmnio é diagnosticado quando o Índice de Líquido Amniótico (ILA) é menor que 5 cm ou quando o maior bolsão único de líquido amniótico é menor que 2 cm em uma ultrassonografia.

Por que a maturação cervical é importante antes da indução do parto?

A maturação cervical prepara o colo uterino, tornando-o mais favorável (amolecido, encurtado e dilatado), o que aumenta a taxa de sucesso da indução do parto com ocitocina e diminui a necessidade de cesariana, especialmente em colos desfavoráveis.

Quais são as principais opções para maturação cervical?

As principais opções para maturação cervical incluem métodos farmacológicos, como prostaglandinas (ex: misoprostol, dinoprostona), e métodos mecânicos, como cateter de Foley ou dilatadores osmóticos.

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