Oftalmopatia de Graves: Manejo e Indicações Cirúrgicas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025

Enunciado

Mulher, 25 anos, tabagista, com irritação ocular há três meses bilateral e dor à movimentação ocular. Ao exame clínico, apresenta exoftalmometria de Hertel de 20 e 23 mm, retração palpebral superior, hiperemia ocular com edema de carúncula e quemose. Apresenta acuidade visual de 1,0 bilateral e fundoscopia sem alterações. Escolha a alternativa correta com relação ao caso.

Alternativas

  1. A) A suspensão do tabagismo é suficiente para o controle dessa fase da doença.
  2. B) Caso a investigação identifique risco de perda visual por neuropatia compressiva, a realização de descompressão orbitária deve ser considerada.
  3. C) Devido aos efeitos colaterais graves de pulsos de corticoterapia e inefetividade da radioterapia, o tratamento com anticorpos monoclonais é a principal indicação de tratamento.
  4. D) O exame de ultrassonografia de alta frequência (50 MHz) pode revelar sinais de inflamação e compressão dos músculos oculares externos ao redor do nervo óptico, sendo um exame importante para direcionar o tratamento.

Pérola Clínica

Neuropatia óptica compressiva na orbitopatia de Graves → Descompressão orbitária cirúrgica.

Resumo-Chave

A orbitopatia de Graves é uma condição inflamatória autoimune onde o tabagismo é o principal fator de risco; casos com risco visual exigem intervenção cirúrgica descompressiva.

Contexto Educacional

A oftalmopatia de Graves (OG) é a manifestação extratireoidiana mais comum da Doença de Graves. A fisiopatologia envolve a ativação de fibroblastos orbitários por anticorpos contra o receptor de TSH (TRAb), levando ao acúmulo de glicosaminoglicanos e edema muscular. O caso descreve uma paciente jovem, tabagista, com sinais de atividade inflamatória (quemose, edema de carúncula, dor à movimentação) e proptose (Hertel 20/23mm). Embora a acuidade visual esteja preservada no momento, a alternativa correta destaca que a descompressão orbitária deve ser considerada se houver risco de neuropatia compressiva, refletindo o manejo de casos graves que ameaçam a visão.

Perguntas Frequentes

O que é a neuropatia óptica compressiva na doença de Graves?

É a complicação mais grave da oftalmopatia de Graves, ocorrendo quando o aumento do volume dos músculos extraoculares e da gordura orbitária no ápice da órbita comprime o nervo óptico. Os sinais incluem perda de acuidade visual, alteração na visão de cores (discromatopsia), defeito pupilar aferente relativo e alterações no campo visual. É uma emergência oftalmológica que requer tratamento imediato com corticoide venoso ou descompressão cirúrgica.

Qual a importância do tabagismo na oftalmopatia de Graves?

O tabagismo é o fator de risco ambiental mais importante e modificável. Fumantes têm um risco muito maior de desenvolver a forma grave da doença, apresentam pior resposta aos tratamentos (como radioterapia e corticoides) e maior taxa de progressão após o tratamento do hipertireoidismo com iodo radioativo. A cessação do tabagismo é obrigatória em todos os pacientes.

Quando a descompressão orbitária é indicada?

As principais indicações são: 1) Neuropatia óptica compressiva que não responde à pulsoterapia com corticoides; 2) Exposição corneana grave devido à proptose extrema (ceratopatia de exposição); 3) Motivos estéticos ou reabilitação funcional em pacientes com doença inativa e proptose desfigurante.

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