CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012
Sobre a oftalmia simpática, é correto afirmar que:
Trauma em um olho → Uveíte granulomatosa bilateral → Oftalmia Simpática (Diferencial: VKH).
A oftalmia simpática é uma uveíte granulomatosa bilateral rara que ocorre após trauma penetrante ou cirurgia em um dos olhos, tendo a Síndrome de VKH como principal diagnóstico diferencial.
A oftalmia simpática representa um dos maiores desafios na oftalmologia traumática. É uma condição bilateral onde o olho não atingido pelo trauma sofre uma inflamação severa. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado no histórico de trauma e na presença de uveíte granulomatosa com nódulos de Dalen-Fuchs (acúmulos de células epitelioides entre o EPR e a membrana de Bruch). A diferenciação com a Síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada é essencial, pois embora o tratamento imunossupressor seja similar, a etiologia e o prognóstico sistêmico diferem. A preservação da acuidade visual depende do diagnóstico precoce e do controle rigoroso da inflamação intraocular.
A principal diferença reside na história clínica: a oftalmia simpática é precedida obrigatoriamente por um trauma ocular penetrante ou cirurgia intraocular no chamado 'olho excitador'. Já a Síndrome de VKH é uma doença autoimune sistêmica idiopática, sem histórico de trauma, que frequentemente apresenta manifestações extraoculares como meningismo, disacusia, vitiligo e polidose. Histologicamente, ambas são uveítes granulomatosas bilaterais muito semelhantes.
Acredita-se que seja uma reação de hipersensibilidade tardia (tipo IV) mediada por células T contra antígenos de superfície dos fotorreceptores ou da úvea (como a melanina) que foram expostos ao sistema imune após a quebra da barreira hemato-ocular pelo trauma. Isso gera uma inflamação granulomatosa não apenas no olho traumatizado, mas também no olho contralateral íntegro (olho simpatizante).
O tratamento baseia-se em imunossupressão agressiva. Inicialmente, utilizam-se corticosteroides em altas doses (tópicos, perioculares e sistêmicos). Em casos resistentes ou para poupar o uso prolongado de corticoides, utilizam-se agentes imunomoduladores como azatioprina, ciclosporina ou metotrexato. A enucleação do olho traumatizado só é recomendada se ele não tiver potencial de visão e for realizada muito precocemente.
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