CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Sobre a oftalmia simpática é correto afirmar:
Oftalmia simpática = Uveíte granulomatosa bilateral após trauma penetrante em um dos olhos.
É uma panuveíte granulomatosa bilateral rara que ocorre após trauma penetrante ou cirurgia intraocular; o período de latência é extremamente variável, podendo surgir décadas depois.
A oftalmia simpática representa um dos maiores desafios na traumatologia ocular. Sua patogênese envolve a quebra da barreira hemato-ocular e a perda do privilégio imune do olho. A variabilidade no tempo de aparecimento — de 5 dias até 60 anos — exige que qualquer paciente com história de trauma penetrante e nova inflamação no olho contralateral seja investigado para esta condição. O diagnóstico é eminentemente clínico, apoiado por angiografia fluoresceínica e OCT. O prognóstico melhorou significativamente com o advento das terapias imunossupressoras modernas, mas a doença ainda requer vigilância vitalícia, pois recidivas são comuns após a redução da medicação.
A oftalmia simpática é uma doença autoimune mediada por células T contra antígenos uveais (melanócitos) que foram expostos ao sistema imune após um trauma penetrante ou cirurgia intraocular em um dos olhos (chamado de 'olho excitador'). O sistema imunológico, ao reconhecer esses antígenos anteriormente 'escondidos', desencadeia uma resposta inflamatória granulomatosa bilateral que afeta tanto o olho traumatizado quanto o olho contralateral sadio (chamado de 'olho simpatizado'). É uma condição rara, mas potencialmente devastadora para a visão.
O achado clássico na histopatologia da oftalmia simpática são os nódulos de Dalen-Fuchs, que são aglomerados de células epitelioides, macrófagos e linfócitos localizados entre o epitélio pigmentado da retina (EPR) e a membrana de Bruch. Além disso, observa-se uma infiltração granulomatosa difusa da coroide, com preservação relativa do coriocapilar. Clinicamente, isso se traduz em uma panuveíte com múltiplos focos amarelados sub-retinianos na periferia e edema de papila.
O tratamento de primeira linha baseia-se em altas doses de corticosteroides sistêmicos, frequentemente iniciados com pulsoterapia, seguidos por imunomoduladores (como azatioprina ou ciclosporina) para controle a longo prazo. Historicamente, a enucleação do olho excitador era recomendada dentro de 10 a 14 dias após o trauma para prevenir a doença. No entanto, se a oftalmia simpática já se manifestou, a enucleação do olho excitador é controversa e geralmente não melhora o prognóstico do olho simpatizado, devendo ser evitada se o olho excitador ainda possuir potencial de visão.
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