CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2018
Sobre o exame apresentado abaixo, podemos afirmar:
OCTA = Mapeamento vascular via movimento de hemácias (sem contraste).
O OCTA utiliza a variação do sinal de OCT causada pelo movimento das hemácias para reconstruir a rede vascular retiniana e coroidiana em 3D.
A introdução do OCT Angiografia (OCTA) revolucionou o diagnóstico por imagem na oftalmologia. Ao contrário da angiografia fluoresceínica (AF) ou do indocianina verde (ICG), que dependem da dinâmica de um corante na corrente sanguínea, o OCTA é uma técnica de imagem funcional que detecta o fluxo sanguíneo intrínseco. Ele utiliza algoritmos complexos para comparar scans repetidos e identificar mudanças na amplitude ou fase do sinal de OCT causadas por partículas em movimento (hemácias). Essa tecnologia permite uma visualização sem precedentes da microvasculatura retiniana em camadas separadas, facilitando o diagnóstico de patologias como a proliferação angiomatosa retiniana (RAP) e o monitoramento de neovasos da coróide. No entanto, o clínico deve estar ciente de que o OCTA representa um 'mapa de fluxo' e não um 'mapa de permeabilidade', tornando-o complementar, e não necessariamente substituto, aos exames baseados em contraste em casos de doenças inflamatórias ou exsudativas graves.
O OCT Angiografia (OCTA) baseia-se no princípio da decorrelação de sinal. O aparelho realiza múltiplas capturas (B-scans) exatamente na mesma posição da retina em um intervalo de tempo curtíssimo. Enquanto as estruturas estáticas (como as camadas de fotorreceptores) geram sinais idênticos em todas as capturas, as hemácias em movimento dentro dos vasos causam variações (decorrelação) no sinal de luz refletido. O software processa essas diferenças e reconstrói apenas as áreas onde há movimento, criando um mapa detalhado da rede vascular sem a necessidade de corantes exógenos como a fluoresceína.
A principal vantagem é ser um exame não invasivo, eliminando riscos de reações alérgicas ou náuseas associadas ao contraste. Além disso, o OCTA fornece imagens tridimensionais, permitindo a segmentação da vasculatura em diferentes plexos (superficial, profundo e coriocapilar), o que é impossível na angiografia convencional, que é uma imagem de projeção 2D. O OCTA também oferece maior resolução para identificar membranas neovasculares sub-retinianas e zonas de não-perfusão capilar de forma muito precisa.
A maior limitação do OCTA é a incapacidade de detectar o extravasamento (leakage) de fluido, que é um marcador essencial de atividade em doenças como a retinopatia diabética ou a DMRI úmida. Como o exame depende do movimento, fluxos sanguíneos muito lentos (abaixo do limiar de detecção do aparelho) podem não ser visualizados. Além disso, o OCTA é muito sensível a artefatos de movimento do paciente e a opacidades de meios (como catarata), que podem obscurecer a visualização dos vasos.
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