CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011
Com relação à oclusão de veia central da retina em jovens, é correto:
OVCR em jovem → Investigar obrigatoriamente trombofilias, vasculites e causas inflamatórias.
Diferente dos idosos, onde a OVCR é ligada a fatores cardiovasculares, em jovens ela exige busca ativa por estados de hipercoagulabilidade e doenças inflamatórias sistêmicas.
A oclusão da veia central da retina (OVCR) manifesta-se como perda súbita e indolor da visão, com achados fundoscópicos clássicos de hemorragias em 'chama de vela', edema de papila e veias tortuosas. Em jovens, a apresentação clínica desafia o médico a olhar além do olho. A identificação de uma causa sistêmica subjacente, como uma trombofilia ou vasculite, é crucial não apenas para o manejo ocular, mas para a prevenção de eventos trombóticos em outros órgãos (como AVC ou TEP). O prognóstico visual depende da gravidade da isquemia retiniana inicial e das complicações como o glaucoma neovascular.
Em pacientes jovens (geralmente definidos como menores de 45-50 anos), a oclusão de veia central da retina (OVCR) é menos comum e frequentemente está associada a condições sistêmicas específicas. As principais causas incluem estados de hipercoagulabilidade (trombofilias hereditárias como mutação do Fator V de Leiden, deficiência de proteína C ou S), doenças inflamatórias (vasculites como Doença de Behçet ou Sarcoidose), doenças autoimunes (Lúpus Eritematoso Sistêmico) e o uso de medicamentos como anticoncepcionais orais.
No idoso, a OVCR está fortemente ligada à compressão da veia pela artéria central da retina adjacente, que sofreu alterações ateroscleróticas (esclerose arteriolar), além de fatores como hipertensão arterial, diabetes e glaucoma. No jovem, esse mecanismo compressivo é raro; a patogênese geralmente envolve inflamação direta da parede vascular (flebite) ou uma alteração primária na cascata de coagulação, exigindo uma investigação laboratorial muito mais extensa.
A investigação deve incluir hemograma completo, velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C reativa (PCR), triagem para anticorpos antifosfolípides (anticoagulante lúpico e anticardiolipina), dosagem de homocisteína, além de testes para deficiências de proteínas C, S e antitrombina III. Dependendo da suspeita clínica, exames para doenças infecciosas (sífilis, tuberculose) e inflamatórias sistêmicas também são indicados.
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